terça-feira, agosto 11, 2015

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - CI


A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Rodrigues Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, (Trabalho que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes).
O texto está escrito, tal como foi publicado.
Os comentários do autor estão aqui na sua totalidade.

(Continuação)
Quatro dias depois, ou seja em 20 de Julho, lá estão de novo os vereadores reunidos em sessão, apenas para isto: 
Nesta vereação foi proposto que suposto se tivessem avaluado os olivais desta cidade em duzentos mil réis contudo como eles se não avaluarão logo, a demora tem feito com que o gado Bois e Egoas tenham comido o agostadouro fica por tanto valendo cento e trinta mil réis”.
Vem logo dois dias depois nova cerimónia da posse de um cargo de certa importância, o de Procurador da comarca, para que tinha sido nomeado o Doutor Francisco Xavier Borges Pereira Feraz. Assistiu também muita gente e da mais grata da cidade. Exerceu o cargo três anos certos. À margem do auto lá está uma nota a dizer que foi suspenso no dia 22 de Julho de 1803.
A deliberação adoptada pela Câmara em sua sessão de 6 de Julho de 1800 na sentido de “as vereaçoins se fazerem nos dias que determinam as Leys da  Reyno”, isto é, duas sessões por semana, não teve desde logo execução, pois que a sessão seguinte se realiza um mês e três dias depois, ou seja em 9 de Agosto. A ata respetiva começa assim: 
Nesta foi apresentada huma ordem do Juizo Provedoria na qual vinha inserta outra de Sua Alteza Real o Príncipe Regente Nosso Senhor em Virtude da qual mandava o mesmo Senhor que a Camera desta cidade desse a sua resposta sobre um requerimento que a Camera da Villa de Alpedrinha fez ao mesmo Senhor para efeito de concertar as calçadas”. Depois segue-se a resposta, que é de respeito pelo tamanho. Resumimo-la.
"A Câmara, Nobreza e Povo de Alpedrinha, queriam que esta cidade e sua comarca concorressem para as despesas da “calçada nova que intentavam fazer na passagem daquela Vila para a Covilham”, mas o que se dizia no respectivo requerimento não era exacto. Diziam que por ali tinham de passar as lãs para as fábricas da Covilham, mas não era exacto, pois que estas seguiam em carros pela estrada que serviam esta cidade, a da Guarda, Trancoso e Pinhel. A calçada era para comodidade da população de Alpedrinha e por isso era justo que fosse ela a pagá-la, tanto mais que lá havia recursos. Bastava saber-se que só uma ervagem lhe rendia 50 moedas de ouro. Constava, era certo, que a dita ervagem tinha sido vendida por alguns anos; mas, como essa venda fora feita “para uma obra inútil e de ostentação, qual foi a de duas torres para a sua Igreja empregassem o seu produto para areparaçam das ditas calçadas”.
Além disse a Camara de Alpedrinha no que pedia cortava á larga, pois que podia economizar muito dinheiro aproveitando a pedra da calçada velha e a que faltasse podia ir busca-la ali mesmo ao pé, mas não estava para isso, “e bem se vê ser feito com o que há-de ser pago pella bolça alheia”. 
Não devia contar com o auxílio desta cidade e sua comarca, para o que bastava ter em consideração as quantias avultadas com que contribuíra ainda não havia muito para as pontes de Caria e calçada da Guarda, parte das quais ainda estava por pagar a quem emprestara o dinheiro.

Em conclusão e em resumo: não podia dar nada, porque ninguém dá o que não tem, e porque o pedinte tinha por lá com que podia governar-se e se o não tinha, a culpa era dele, pois o tinha gastado em obras de ostentação.

PS. Aos leitores dos postes “Efemérides Municipais”: o que acabaram de ler, é uma transcrição fiel do que foi publicado na época.
O Albicastrense

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