quinta-feira, novembro 19, 2015

CARTAS DE PERDÃO MANUELINAS – (IV)

 
Álvaro Reis, morador em Niza fora preso por demanda de Brás Afonso Correia, ouvidor do Mestrado de Cristo, por dizer contra ele que, com muitos outros homens de noite e a desoras, fora sobre um Diogo do Rego para o matar numa casa onde estava preso. Ao arruído acorrera Nuno Fernandes juiz e vereador, que o houve por degredo e lhe pôs pena de degredo para as partes de além e pena de dinheiro.
E, tendo-o preso, o dito Brás Afonso o mandara à vila de Castelo Branco. Aí fora entregue a Marcos Mendes, carcereiro e jazente em a dita vila e prisão com outros presos e presas, viera a fugir um preso que o dito carcereiro trazia pela vila com uma cadeia nos pés.
E por assim lhe fugir, o carcereiro não ousava ver a cadeia e andava fora. Os juízos acudiram então e mandaram que os outros presos fossem guardados dia e noite por dois homens. Nesse tempo ele e os outros presos mandaram dizer ao carcereiro, que estava na igreja, que lhes desse ordem e maneira de fugirem pois lhe dariam dinheiro como de facto deram. E por seu azo e conselho tomariam os guardas e os ameaçaram de tal maneira que se calaram, e quebraram um cadeado e limaram ferros, elos e aloquetes. E chegando o carcereiro à porta, eles e outros lhe abriram com a chave todos soltos. E se amorara, e andava amorado, Tomé Gonçalves e João Afonso, moradores na Mata e guardas da prisão que ofendidos foram, lhe perdoaram e o não queriam acusar nem demandar como se via de um publico instrumento assinado por Mem Gonçalves, tabelião em Castelo Branco. O Rei, antes de lhe dar algum livremente, fizera vir perante si a inquirição devassa que se tirara por razão da fugida dos presos, e visto o perdão dos guardas e querendo fazer mercê lhe perdoara contanto que pusesse dois mil reais para as despesas da Relação.
E mais ordenou que o preso houvesse carta de segurança para nos quinze dias primeiros seguintes se livrasse e pusesse a direito daquilo por que era preso.
Data em Setúbal, 1496, Abril, 25
(Chanc. D. Manuel. Lº 40, folha. 25)

PS. O texto está escrito tal como foi publicado por Fernando Portugal, na revista; "Estudos de Castelo Branco".
O Albicastrense

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