domingo, março 18, 2012

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - LVII



A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940. A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Rodrigues Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, (Trabalho que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes).
O texto está escrito, tal como foi publicado.
Os comentários do autor estão aqui na sua totalidade
(Continuação)
A sessão seguinte realizou-se em 25 de Janeiro. A respectiva acta começa assim:
Foy apresentado pello Procurador do Conselho hum requerimento no qual pretendia que se lhe mandasse lavrar hum termo por meyo do qual ficava desobrigado de abonar o fiador José Esteves Povos do rendeyro da renda do verde desta cidade e alem Ponsul.
Lá teria as suas razoes. Não lhe merecia confiança o fiador que o rendeiro apresentara para o verde da cidade e de alem Ponsul, e por isso queria livrar da água do seu capote.
Mas a Câmara observou-lhe que o fiador tinha sido abonado por todos, incluindo-se nestes todos o próprio procurador, que agora aparecia a querer fugir às responsabilidades que assumira, o que não podia ser, porque isso “estava dependente de huma via ordinária”.
E então a acta consta assim:
O que sendo ouvido pelo Procurador o Conselho que elle cedia do presente requerimento e estava pronto a abonar como abonava o referido fiador”.
Estava o caso arrumado, não é assim? Pois, senhores, depois disto é a Câmara e os restantes membros da Câmara, que de saem com esta.
E outro sim determinarão que visto o mesmo rendeyro não ter dado fiança à renda do alem Ponsul fosse notificado para dentro de vinte e quatro horas o apresentar na forma de ley, aliás se procederia contra ele na forma da mesma”.
Parecia primeiro que o homem tinha apresentado fiador idóneo para garantir a renda do “verde da cidade e de alem Ponsul” e por isso a Câmara fazia sentir ao procurador do conselho que o seu requerimento era tolice, visto que o fiador tinha sido aprovado por todos. O procurador encolhe-se, dá o dito por não dito e logo a seguir é a Câmara toda que diz que com relação à renda do verde de “alem Ponsul” o rendeiro não apresentara fiador e por isso ou apresentava dentro do prazo de vinte e quatro horas ou se precedia contra ele “na forma da Ley”.
Deve ser uma trapalhada do escrivão, Aranha. Nesta sessão ainda aparece o seguinte:
Nesta vereação se determinou; “que fosse notificado o Thezoureyro do Conselho para se lhe tomar contas do anno passado, para no primeiro dia da vereação se lhe tomar conta”.
Era assim mesmo. Notificava-se o tesoureiro para dar conta do “anno passado” e havia de aparecer com elas direitinho logo na sessão seguinte.
(Continua)
PS. Mais uma vez informe os leitores dos postes “Efemérides Municipais”, que o que acabou de ler é, uma transcrição fiel do que foi publicado na época.
O Albicastrense

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