terça-feira, agosto 14, 2007

ECOS DE UMA ENTREVISTA

OFICINA ESCOLA DE BORDADOS

DO MUSEU FRANCISCO TAVARES PROENÇA JUNIOR

Extracto de um trabalho jornalístico publicado pelo jornal “Gazeta do Interior” na sua edição 973, de 8 de Agosto de 2007.973
A Oficina Escola do Museu Tavares Proença Júnior, de Castelo Branco, vai acabar por encerrar, a médio prazo, se entretanto não entrar mais nenhuma bordadeira, o que parece estar fora de hipótese. O núcleo já chegou a funcionar com duas dezenas de bordadeiras, mas ao longo dos anos foram saindo, umas porque preferiram trabalhar por conta própria, outras porque abandonaram a profissão, outras por motivos de aposentação. Neste momento, trabalham no museu quatro bordadeiras, já com anos suficientes de serviço para pedir aposentação, (começaram a trabalhar muito novas), mas ainda sem idade para tal.
O trabalho jornalístico apresentado pelo jornal gazeta do Interior sobre os nossos bordados, mais não é que a confirmação daquilo que tenho dito ao longo dos últimos dois anos, sobre este assunto.
O trabalho jornalístico tem a assinatura de Célia Domingues, (que não conheço), contêm uma afirmação, que não corresponde à verdade.

Célia Domingues diz o seguinte
:ao longo dos anos as bordadeiras foram saindo, umas porque preferiram trabalhar por conta própria, outras porque abandonaram a profissão”, (onde colheu Célia, tal informação)?
Célia tal não corresponde à verdade!
Durante os trinta anos de existência da Oficina Escola de Bordado do Museu, (1976/2006) nenhuma das bordadeiras que ali trabalhou durante esse tempo, saiu para trabalhar por conta própria, ou porque abandona-se a profissão, todas as bordadeiras, saíram por motivo de reforma nos últimos anos.
No entanto não é sobre esta pequena inverdade, que aqui quero falar, mas sim sobre a “fase terminal da Oficina Escola de Bordados do Museu” assumida publicamente, pela actual directora do museu (Calculo! com o patrocínio do
Instituto dos Museus e Conservação) …

Diz a actual responsável pelo museu:

“Existem muitas bordadeiras que podem e fazem já este tipo de trabalho lá fora, com muita qualidade e satisfazem já muitas encomendas".
“As bordadeiras que restam no museu vão entrar na reforma daqui por dez anos, e a Oficina Escola do Museu vai acabar por fechar “

“A vocação da instituição não é "produzir" bordado mas sim preservar e investigar esta arte”
A pílula dourada que a actual direcção do (I.M.C. - Instituto dos Museus e Conservação), está a tentar enfiar-nos pela boca dentro, através da actual direcção do museu F.T.P.J, mais não é que uma carrada de areia para os olhos da opinião publica albicastrense.
A criação da OFICINA ESCOLA DE BORDADOS DO MUSEU DE FRANCISCO TAVARES PROENÇA JÚNIOR, foi obra de gente empenhada e dedicada aos bordados de Castelo Branco, e à sua cidade.
A Oficina Escola de bordados é parte integrante do nosso museu, e não um apêndice de menor importância, que possa ser descartável a qualquer momento, conforme o poder politico assim o entender.
O fim da Oficina Escola de bordados será mais um arrombamento no prestígio do nosso museu, deixar fechar a oficina escola com o argumento de que já “Existem muitas bordadeiras que podem e fazem já este tipo de trabalho lá fora, com muita qualidade e satisfazem já muitas encomendas", é em primeiro lugar dar um tiro de canhão no próprio museu, é reduzir os últimos trinta anos da oficina escola, a uma mera fabrica de bordados, os directores que a antecederam no cargo a meros gestores de activos humanos, e pessoas como a D. Etelvira, Teresa, Augusta a abelhas mestras e todas as restantes bordadeiras a abelhas operarias.
Tal afirmação é ainda demonstrativa, dum total desconhecimento da importância da oficina escola, na vida do museu nos trinta anos passados.
A continuação da oficina escola e a presença das bordadeiras na instituição chamada Museu Francisco Tavares Proença júnior, dá aos visitantes do museu a possibilidade de olharem para os nossos bordados, como algo que foi passado, é presente e será futuro.
A presença das bordadeiras no museu, permite ainda aos visitantes uma relação de proximidade com os nossos bordados e com as bordadeiras de tão bela arte.
Fechar a escola de bordados é encerrar parte do próprio museu e da sua história, se os responsáveis que tutelam os nossos museus, ainda não conseguiram descortinar esta simples constatação, só me resta dizer-lhes mudem de profissão meus senhores!
Para quem como eu, ali trabalhou cerca de trinta anos, e viveu de perto o desenvolvimento dos nossos bordados ao longo desse tempo, as declarações feitas no jornal Gazeta do Interior, levam-me ainda a questionar os albicastrenses sobre o que queremos nós para o nosso museu?
Um museu de proximidade, que permita a quem nos visitar no nosso museu, saber quem fomos, quem somos e o que queremos.
Ou pelo contrário queremos um museu, cujo recheio até pode ser “interessante”, mas pouco ou nada diz, da nossa região, e das nossas gentes.
A discussão pode e deve ser feita pelos albicastrenses... ou será que mais uma vez vamos ficar sentados, quietos e mudos, deixando que os inteligentes do reino decidem por nós, sobre o que é melhor para Castelo Branco e para os albicastrenses?
Para terminar lembrava aqui declarações feitas por Dalila Rodrigues sobre a credibilidade daqueles que nos desgovernam:
"Estou surpreendida porque nunca me foi feito nenhum reparo por parte da tutela sobre a forma como dirigi o museu. Recebi sempre elogios", disse Dalila Rodrigues, pouco depois de lhe ter sido comunicada a não renovação da comissão de serviço pelo director do Instituto dos Museus e Conservação (IMC), Manuel Bairrão Oleiro.

Triste espectáculo este…. Mais comentários para quê?

O Albicastrense




4 comentários:

  1. Anónimo10:12

    Excelente comentário. Publique-o no jornal que refere.

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  2. Leitor10:35

    Sim, sim cada vez mais se pergunta: Afinal o Museu Tavares Proença vai ser um museu do quê? Caminha para a extinção? Quanto aos bordados o que vai acontecer é o de sempre. Acaba-se com o que está bem para criar 'outra coisa' que vai, claro, funcionar mal. O "museu" do bordado-Cargaleiro vai ser o maior atentado cultural ao bordado de castelo branco. Acordem e sejam , culturalmente, sérios. A oficina escola do Museu tavares proença é, como diz o meu amigo Pedro Salvado, a ASAE do bordado- Faz cumprir a lei da qualidade.

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  3. Anónimo00:07

    Tambem li,e fiquei chocado todas as senhoras que trabalharam nos bordados sairam reformadas e não para vir trabalhar por conta própria.Quanto á qualidade cá fora não é nenhuma,porque quem trabalha cá fora nunca tiveram formações em condições não é em 2 ou 3 meses que se aprende o bordado para se começar logo a vender.

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  4. Anónimo00:29

    A cerca de dois meses uma madame estava a mostrar umas fotografias de bordados de castelo e fiquei muito surpreendida quando vi fazerem os bordados de castelo branco em bastidores redondos,e mais colchas enormes é de loucos,pessoa essa que ainda por cima é monitora,dá formações e ainda se calhar ensina professores. Pergunto eu aonde foi essa senhora fazer a formação de bordados de Castelo Branco? Falo desta mas sei que á mais,que não sabem ensinar nada,e os bolsos a encherem.

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