quinta-feira, maio 15, 2014

ALBERGARIA DE SANTA EULÁLIA - (FINAL)

UM DOCUMENTO HISTÓRICO
(Continuação)
O mordomo de S. Olaya foi instituído por Martim Esteves e sua mulher Maria Migueis que o deixaram a sua sobrinha Maria Eanes, casada com Vasco Eanes de Refoyos, avós de Ruy Vasques de Refoyos, personagens do período do mestre de Avis, o qual foi senhor dos direitos reais da Covilhã, senhor de Sarzedas e Sobreira Formosa e alcaide-mor de Almeida e de Monsanto. A descendência consta de vário livros de genealogias”.
Haja vista aquele Martim Esteves, homem de haveres, que instituiu o Morgado e a Capela de Santa Eulália, com assento ali na Rua dos Ferreiros, entre a porta da vila e o Postiguinho de Valadares. Não tinha o Esteves descendentes, e, por isso, chamou à administração do morgado e capela o seu parente Vasco Anes, e na sua pessoa e por anos sem conta, os seus descendentes que não fossem sandeus ou desmemoriados.
Ora um neto daquele Vasco Anes, que dava pelo nome de Ruy Vasques de Castelo Branco, o vamos encontrar na babugem da insurreição que levou ao trono o Mestre de Avis, não ainda a enaipar com a fidalgaria, mas a acamara-dar com outros escudeiros que se encontravam nas Cortes de Coimbra, segundo refere Fernão Lopes.
Trouxemos para aqui esta nota somente para se agarrar explicação capaz da ascensão dos descendentes de Vasco Anes até ás honrarias que culminam no condado de São Vicente, mas sobretudo, para se adivinhar como inchou de haveres a sua casa agrícola, que chegou a ser uma das maiores, em extensão territorial, em terras da beira...
Nem mais nem melhor se pode dizer para explicar como os descendentes de Vasco Anes , da família de Martim Esteves, chegaram a Condes de S. Vicente. Em 1666 Dom Afonso VI criou o condado de São Vicente da Beira e nomeou João Nunes da Cunha Iº Conde de S. Vicente.
Este João Nunes da Cunha era homem de altos merecimentos, e foi escolhido para Vice-Rei da Índia. Era comendador de Castelejo e de S. Romão de Herval, da Ordem de Cristo. Homem de muitas letras, publicou um Panegírico de El-rei D. João IV e deixou manuscritas algumas obras de matemática e poesia.
Em 1807 Luís da Cunha Sousa e Vasconcelos veio requerer que tendo falecido sem descendência seu irmão José da Cunha, era ele seu sucessor, e como tal requeria a posse judicial dos bens do Morgado que nesta cidade possuía.
Em 1866 o Morgado tinha entrado em franca liquidação. Neste ano da graça que está a corre, do Morgado de Santa Eulália, tudo o vento levou e dele só resta a pálida lembrança registada nestas paginas.

PS. A imagem postada neste poust, foi captada por mim quando das obras de requalificação da Praça Postiguinho de Valadares, imagem onde se podem ver restos da antiga albergaria.
Dados recolhidos em: “Estudantes da Universidade de Coimbra Naturais de Castelo Branco”. De Francisco Morais e José Lopes Dias.
O Albicastrense

1 comentário:

  1. Anónimo22:26

    “Se não fores votar, não estarás a votar na
    malandragem que te está a rapinar todos os dias?”

    Claro que está !
    VOTA EM QUEM NUNCA TE RAPINOU.

    ResponderEliminar

MEMÓRIAS DE OUTROS TEMPOS - " O JÚLIO RAMOS DO CAFÉ ARCÁDIA"

O jornal “ Beira Baixa ” publicou em 1944, a pérola que aqui estou a postar.                            Não há no Mundo maior palp...