segunda-feira, maio 12, 2014

ALBERGARIA DE SANTA EULÁLIA - (III)

UM DOCUMENTO HISTÓRICO
(Continuação)
Das antigas casas de residência do feitor da Capela, cumulante com as funções de albergueiro, eis a referencia do “Tombo”:

Havia morada de casas junto à muralha da porta, da Vila – que pegaõ com a dita muralha da parte do norte, e do Sul com casas de Manuel Jorge solteiro mercador, e pelo oezte com a rua publica chamada a dos Ferreyros, E pello Leste com quintal da mesma casa, que tambem E deste Morgado as quais cazas tem dous sobrados, e tres salas em comprimento, e a cozinha sobre o segundo sobrado e delle se serve António Gomes pelo trabalho de feitorizar a Capella e dar os guizamentos ou aprestos para o Santo Sacrificio das Mifsas, que annuais contidianamente selebrou na Capella de Santa Eulália, e sendo estas medidas pella parte de dentro, a superfície tem de Norte a Sul duas varas, e tres quartas, e de leste a oeste, a todo o comprimento das tres casas doze varas e uma quarta e (….) da sala que parte com o quintal tem delargura tres varas e uma sezma – Tem as ditas casas seu Balçaõ para o mesmo quintal o qua tem seu Pofso com bordas de cantaria e hum figueira, tres parreyras, e dista da muralha he a chaminé da casa da ospedaria pella parte do Oeste e sudueste tres varas e meya, e do Norta, o muro tem outo varas, e do leste e sueste que he do muro até aultima quina da casa da ospedagem tem doze varas, e meya, e pollo Sul vara, e meya porque faz augulo agudo
Dos documentos depreende-se que a Albergaria de Santa Eulália continha quatro camas, e cozinha, e destinava-se a cumprir uma das Obras de Misericórdia, dar pousada aos peregrinos, isto é, facultar aos viajantes, cama, roupa luz e sal, durante três dias. 
Não se admirem olhares modernos da sua exiguidade, em relação com a vida actual, pois não eram maiores, em geral, as de outras terras do país, elas desempenhavam funções sociais bem importantes naqueles tempos. Algumas, recolhiam os peregrinos aos lugares santos e consagrados, Jerusalém, S. Tiago de Compostela, Boulogne, Guadalupe, S. Vicente do Algarve, etc., os doentes e ainda os leprosos, acumulando as diversas modalidades do exercício da caridade. Vasco pais era alcaide-mor das Covilhã e de Monsanto, na epoca de D. Afonso IV, e foi o primeiro que tomou o apelido de Castelbranco “por hã sucesso de guerra que teve nesta Villa”.
O solar dos Castelbrâcos querê algûs que seja a quinta de Val de Figr.ª Junto da Vila lla de Castelbrãco, outros querê que seja a mesma v.ª aonde erão senhores os Castelbrancos da Capella da Albergaria de S. Olaya que foi de Ruy Vasqs, de Castelbranco: os quaes erão chefes deste app.º e por casamento pasou aos Sousas Refoyos e pella mesma causa aos Cunhas Condes de S. Vicente e hoje aos Tavoras”.
Este Ruy Vasques de Castelbranco, parece ser filho de Vasco Paes, ao qual El-Rei D. João Iº, deu a Albergaria-mor de Almeida.
(Continua)
Dados recolhidos em: “Estudantes da Universidade de Coimbra Naturais de Castelo Branco”. De Francisco Morais e José Lopes Dias.
O Albicastrense

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