BEM – VINDOS A UM BLOGUE LIVRE DE OPINIÕES SOBRE CASTELO BRANCO, SEJAM ELAS BOAS OU MÁS. O BLOGUE É DE TODOS E PARA TODOS OS ALBICASTRENSES…
quarta-feira, dezembro 31, 2025
sexta-feira, dezembro 26, 2025
ACTAS CAMARÁRIAS - (I)
ACTA CAMARÁRIA DE 20 DE NOVEMBRO DE 1791
Mas o facto de estarem então proibidos os trabalhos não queria dizer que eles não se fizessem, logo que a situação melhorasse; por isso, desde que se tinha juntado o dinheiro para as pontes, tivessem santa paciência os Procuradores do Povo de Alcains e Lousa, deixassem-no estar onde estava, bem guardado, bem acautelado, e fizessem lá a torre e a sacristia como pudessem. Eram obras “particulares e voluntarias”, não deviam “prevalecer às publicas”.
sexta-feira, dezembro 19, 2025
TOPONÍMIA ALBICASTRENSE NO SÉCULO XVI - (V)
(Continua)
segunda-feira, dezembro 15, 2025
TOPONÍMIA ALBICASTRENSE NO SÉCULO XVI - (IV)
(Continua)
sexta-feira, dezembro 12, 2025
UM HOMEM QUE DEDICOU PARTE DA SUA VIDA A CASTELO BRANCO
Sendo Manuel da Silva Castelo Branco o autor do trabalho que estou atualmente a publicar no blog, não podia deixar de publicar o que consegui descobrir sobre ele. Nesta pequena biografia (pois não consegui encontrar muitos dados sobre ele), podemos constatar através dos seus trabalhos publicados sobre a terra Albicastrense, que nutria por ela um enorme amor.
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segunda-feira, dezembro 08, 2025
terça-feira, dezembro 02, 2025
TOPONÍMIA ALBICASTRENSE NO SÉCULO XVI - (II)
terça-feira, novembro 25, 2025
TOPONÍMIA ALBICASTRENSE NO SÉCULO XVI - (I)
segunda-feira, novembro 17, 2025
IGREJA DA MISERICÓRDIA VELHA – (5/5)
(Ultima) V- Na casa do lado do Norte da Igreja de Santa Isabel, que foi hospital do sexo masculino, foram instaladas duas escolas de ensino secundário: a Escola de Ensino Mútuo, criada por decreto de 15 de Novembro de 1834 e o Liceu Nacional, instituído por decreto de 17 de Novembro de 1836. Na casa do lado do Norte da Igreja de Santa Isabel, que foi hospital do sexo masculino, foram instaladas duas escolas de ensino secundário: a Escola de Ensino Mútuo, criada por decreto de 15 de Novembro de 1834 e o Liceu Nacional, instituído por decreto de 17 de Novembro de 1836.
Estes dois estabelecimentos de ensino permaneceram no antigo hospital até demolição do edifício que se efetuou pouco tempo depois de 1850 por ele ameaçar ruína. O local ficou sendo um largo público e ainda hoje é conhecido pela designação de Largo da Escola.
Na casa do lado sul, que foi hospital do sexo feminino, esteve aquartelado, em 1834, uma companhia da Guarda Nacional, mais tarde esteve ali instalada uma escola primária do sexo feminino criada por decreto de 10 de Março de 1840 e depois funcionou ali o Tribunal Judicial até 1935, data em que foi transferido para o antigo edifício da Câmara Municipal situado no Largo da Sé. Na Igreja da Rainha de Santa Isabel existiram as confrarias da Ordem Terceira de S. Francisco e de Santo António. Após a transferência da Misericórdia para o
convento da Graça, o santo lisbonense, que tinha outrora a sua imagem no altar
colateral do lado do Evangelho, passou a ser o orago, dando origem à designação
de Igreja de Santo António pela qual é hoje conhecido o velho templo consagrado
à Rainha Santa. Durante a reedificação da Igreja, iniciada no século XVIII e
terminada em meados do século XVIII, deu-se a transição do estilo arquitetónico
do Renascimento para o barroco. A fachada principal evidencia esta transição
apresentando ornatos que caracterizam os dois estilos sem que, todavia esta
combinação afete a beleza das proporções e a elegância da decoração. Remata o
frontão da fachada principal uma imagem da Rainha Santa Isabel e sobre a empena
da capela-mor há uma imagem de S. Francisco. Ambas as esculturas, talhadas no
granito regional de difícil trabalho, são relativamente são relativamente
perfeitas. A fachada lateral do lado do Norte, posta a
nu com a demolição da antiga enfermaria do sexo masculino do hospital da
Misericórdia, efetuada em meados do século XIX, apresenta um espeto deselegante
que não se harmoniza com o da fachada principal. Interiormente a igreja é dotada de dois
altares colaterais além do altar-mor. O arco que separa a nave da capela-mor é
de volta plena e esta apoiada sobre pilastras de granito. Os tetos de madeira
da capela-mor e da nave são em abóbada e ostentam uma primorosa pintura do
século XVIII que é uma notável preciosidade artística digna de ser
cuidadosamente conservada. A reedificação deste templo, que foi
primitivamente da invocação de uma venerável santa portuguesa e tem por orago
um não menos venerável santo português. Foi feita nos séculos XVII e XVIII com
dificuldades quase insuperáveis, com penosos sacrifícios da Misericórdia e da
população de castelo Branco. Deve-se portanto, evitar a sua ruína,
mantendo-a aberta ao culto e mandando proceder às indispensáveis obras de
conservação. FIM Recolha de dados: “Castelo Branco na História e na Arte ”de Manuel Tavares dos Santos O ALBICASTRENSE
Estes dois estabelecimentos de ensino permaneceram no antigo hospital até demolição do edifício que se efetuou pouco tempo depois de 1850 por ele ameaçar ruína. O local ficou sendo um largo público e ainda hoje é conhecido pela designação de Largo da Escola.
Na casa do lado sul, que foi hospital do sexo feminino, esteve aquartelado, em 1834, uma companhia da Guarda Nacional, mais tarde esteve ali instalada uma escola primária do sexo feminino criada por decreto de 10 de Março de 1840 e depois funcionou ali o Tribunal Judicial até 1935, data em que foi transferido para o antigo edifício da Câmara Municipal situado no Largo da Sé.
sexta-feira, novembro 07, 2025
IGREJA DA MISERICÓRDIA VELHA – (4/5)
(Continuação)
IV - “Todas estas diligências
que fiz e respeito que me deu o Reverendo Prior de S. Tomé desta cidade, juro
passarem na verdade pelo juramento dos Santos Evangelhos e pelo Hábito de
Christus que professo”.Lisboa, 9 de
Janeiro de 1662. Miguel Achioly da Fonseca Castelo Branco.Em 1620, sendo Provedor da
Misericórdia o Bispo da Guarda D. Nuno de Noronha, foi lavrado um auto do qual
consta que a Mesa fez vistoriar o edifício da rua de Ega, onde estava instalado
o Hospital dos Convalescentes, por dois médicos que a declararam imprópria para
nela poderem convalescer e alcançar saúde os enfermos e “que muito melhor se
fariam e mais acomodados ficariam se se fizessem em bom sitio”. O auto de vistoria
foi enviado ao Rei D. Filipe I com uma pedição da Mesa para que lhe fosse
concedido o rendimento das condenações e penas impostas pelo juiz de Fora, pelo
espaço de cinco anos, para aplicar na edificação de casas próprias para
Hospital junta da Igreja de Santa Isabel. O rei, por alvará de 3 de Março de
1620,fez as seguintes concessões:“Que o dito Hospital se
possa mudar donde ora está para onde eles, suplicantes, têm assentado. E outros
sim hei por bem de lhes fazer mercê por esmola que as pessoas que o Corregedor
e Juiz de Fora da dita vila em seus juízes fizeram e condenarem causas as
apliquem para as obras do dito Hospital por tempo de cinco anos, as quais penas
farão pagar com brevidade, sem duvida nem embargo algum visto a necessidade que
disse há.”
Com as receitas obtidas durante
os cinco anos não consegui, a Misericórdia acabar as obras projetadas. Em 1735
a Mesa, pediu ao Rei D. João V, que lhe fosse concedido o subsidio do real de
água da Câmara, para a conclusão das obras da reedificarão da Igreja e do
Hospital anexo. Foi-lhe concedido esse subsidio durante quatro anos. Durante o
lapso de tempo em que a Misericórdia recebeu as importâncias provenientes do
imposto do real de água não consegui ainda ultimar as obras em curso.
Em 1740,
sendo Provedor Manuel da Fonseca Coutinho, a Mesa fez uma nova pedição ao Rei,
dizendo que “sem embargo de zelo e cuidado com que se
tinha trabalhado na dita obra, ainda esta se não achava acabada e se tinha
despendido não só a importância do dito real de água, que era de 1.414$104
réis, mas também a quantia de 1.747$800 réis de rendas da Misericórdia".Alegando também a
Mesa que a Casa não devia gastar nas obras o que era destinado aos doentes,
solicitava ao rei a continuação do subsídio do real de água e, por alvará de 13
de Dezembro de 1740, foi-lhe deferido a pretensão. Conseguiu assim, a
Misericórdia, a almejada conclusão das obras de reedificação da igreja e de
construção do hospital, que haviam arrastado durante mais de um século.De ambos os lados
da igreja foram construídas enfermarias, destinando-se as do lado do Norte aos
doentes de sexo masculino e as do lado Sul aos do sexo feminino. Por breves
pontifícios de 2 e 3 de Outubro de 1777, de Pio VI, obteve a Misericórdia dois
altares privilegiados: o da Visitação e o de S. João de Deus. Em 1798 já o
hospital estava muito arruinado, necessitando de substituição dos pavimentos e
dos tetos de madeira.A Mesa reunida em
1 de Janeiro desse ano, deliberou mandar executar as obras necessárias,
despendendo nelas a quantia de 300$000 reis que lhe havia sido legado em
testamento em 1794, pelo benemérito Padre Manuel Mendes beato. A Santa
Casa da Misericórdia esteve instalada nas dependências da Igreja da Rainha da
Rainha Santa Isabel até ao ano de 1835. Tendo-se tornado insuficiente as
instalações do hospital e aproveitando a circunstancia de haverem sido extintas
em 1834 as Ordens religiosas deliberou, a Mesa, em sessão de 5 de Setembro
daquele ano, dirigir às cortes uma representação solicitando a troca do
edifício da Misericórdia pelo do convento de Santo António dos Capuchos. Não
conseguiu, porém, o deferimento da pretensão e, em sessão de 6 de Outubro do mesmo
ano resolveu pedir as instalações do convento da Graça. Foi concedida, pelo
Ministério da Fazenda, em portaria de 9 de Julho de 1835, a permuta dos
edifícios e, em portaria de 18 de Setembro do mesmo ano foi autorizada a
transferência da Misericórdia para o antigo convento da Graça. Foram mudados os
sinos e algumas imagens de santos, entre as quais a da Padroeira da
Misericórdia.(Continua) Recolha de dados: “Castelo Branco na História e na Arte” de Manuel Tavares dos SantosO ALBICASTRENSE
CONVENTO DE SANTO ANTÓNIO
Do livro "SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DA TOPONIMIA ALBICASTRENSE NO SÉCULO XVI", da autoria de Manual da Silva Castelo Branco, retirei o texto sobre o antigo convento de Santo António, que pode ser lido nesta publicação. -------------------------------------------Foi
fundado em 1562 o mosteiro de Santo António dos Capuchos por D. Fernando de
Meneses, comendador e alcaide-mor desta vila. Este introito, fornecido em 1853
por Porfírio da Silva, sem esclarecer o fundamento de seu assento, vai ser
repetido pelos seguintes autores, embora por vezes com algumas reservas, em
virtude da inscrição latina existente no pórtico da entrada principal: “Este
mosteiro, cujos fundamentos foram lançados pelos frades, foi depois continuado
por António, o qual (mosteiro) durará para sempre…” Daqui, conclui António Roxo
(1890) que o fundador de parte e não se doto o convento foi um António e não um
Fernando.O
Dr. J. V. Mendes de Matos (1972) indica a mesma data da fundação, reportando-se
á “Geografia Histórica” de D. Luís Caetano de Lima; e teria obtido idêntica
informação na “Descrição corográfica do reino de Portugal”, por António de Oliveira e em outras obras congéneres, bem
como, naturalmente, nas Crónicas da Ordem, de entre as quais me refiro apenas à
“Crónica da província da Piedade, primeira Capucha de toda a Ordem e Regular
Observância do nosso seráfico Pe. S. Francisco, por fr. Manuel de Monforte (1695).
Aqui
se refere, entre outras coisas, que “na capela maior da igreja tem o dito
fundador sepultura e sua mulher D. Filipa de Mendonça, com letreiro que o
declara”. Assim o parece confirmar o seguinte registo paroquial da igreja de
Sta. Maria de Castelo Branco: A 28.9.1643, faleceu D. António de Meneses,
comendador e alcaide-mor desta vila, fez testamento; é seu testamenteiro D.
Jerónimo Coutinho e herdeiro seu filho D. Fernando; jaz no convento de St.
António na capela-mor em o carneiro que tem nela.Talvez
este D. António, filho, herdeiro e sucessor de D. Fernando, o indigitado
fundador, tenha continuado as obras que seu pai patrocinara e, dai, a razão da
Lápida atrás referida… Encontrei muitas outras notícias sobre o convento, quer
nos registos paroquiais dos finais quinhentos, como provenientes de
documentação diferente. Assim, no processo da Inquisição de Lisboa conta Brites
Aires, vemos que, “a 14.4.1579, no mosteiro de Santo António da Ordem da
Piedade da vila de Castelo Branco, dos muros para fora, estando ali o Ldº
Marcos Teixeira, inquisidor, perante ele apareceram várias
testemunhas… (Processo nº 1760)"O ALBICASTRENSE
segunda-feira, novembro 03, 2025
IGREJA DA MISERICÓRDIA VELHA – (3/5)
Embora já tenha publicado em 2009 a história desta igreja, vou fazê-lo de novo, pois a tristeza em que ela se encontra assim o exige. Como o texto é um pouco longo, vou fazê-lo em cinco publicações.
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III - No dia 18 de Abril de 1631 foi lavrado um
auto do qual consta que estando o Provedor Simão da Silva Almeida e mais irmãos
da Mesa e a maior parte da Irmandade junta para irem ao Enterro do Nosso Senhor
Jesus Cristo, por ser em Sexta-feira da Paixão, como era costume na vila,
deliberaram dar inteiro cumprimento ao que Sua Majestade dispôs em sua Provisão
de 10 de Agosto de 1630, na forma seguinte.
“Que para o recebimento e aprovação dos irmãos que ande ser admitidos se
ponham dois vasos no meio da Igreja e se dê a cada irmão uma fava e um grão. E
as favas aprovarão e os grãos reprovarão. E o irmão que for votar lançará no
vaso que estiver despachado para a eleição do Irmão o que lhe parecer. E o que
lhe ficar na mão lançará no outro vaso, para que desta sorte se não dê
satisfação a subornos se os houver e cada um possa votar livremente como lhe
parecer em sua consciência.
E depois, o Provedor e Irmãos da Mesa aprovarão o que acharem no vaso
reputado para a eleição de tal Irmão e achando mais favas que grãos ficará o
Irmão admitido. E achando pelo contrário, mais grãos que favas ficará excluso.
A Confraria da
Misericórdia jamais se eximiu ao rigoroso cumprimento dos preceitos, do
compromisso, concernentes á realização de varias cerimonias religiosas. Era
costume efetuar-se, no dia 2 de Junho, a festa da Visitação de Santa Isabel,
Padroeira da Misericórdia; em 12 de Novembro celebrava-se um ofício de nove
lições por alma dos Irmãos falecidos e, em quinta-feira de Endoenças, a
procissão dos penitentes ou dos fogaréus. O compromisso de 1663 descreveu
pormenorizadamente a organização desta procissão. São deste estatuto os
seguintes trechos:
A qual operação se fará diante de toda a
Irmandade. E nenhum Irmão será admitido senão no dia de Santa Isabel e
Sexta-feira de Endoenças. E antes de se assinar o termo da aceitação e
juramento, habilitará em Mesa sua pessoa. E que todo o Irmão que faltar à
procissão das Endoenças, enterro do Senhor ou de qualquer Irmão que falecer,
não tendo licita causa, pague dois arráteis de cera. E não se cobrando o
Provedor, ele próprio pagará da sua casa. Depois se fez este termo que todos
assinam”.
Da leitura dos documentos transcritos pode inferir-se que nas
eleições realizadas em Portugal alguns séculos antes da instituição do
parlamentarismo já havia mistificações semelhantes ás que originaram o
descredito daquele sistema político.
“Irão
alguns fogaréus por uma parte e outra de toda o procissão e com eles irá todo o
aparelho que for necessário para continuarem com luz todo o tempo. E os Irmãos
que vão governando terão cuidado de os ir dispondo em espaço conveniente e de
os mandar prover quando lhes for necessário".
“Nenhum Irmão levará consigo
pagem ou criado, de maneira que fique dentro na procissão, pela indecência que
nisso há e a desordem que pode causar".
“A procissão sairá da
Misericórdia direita à Praça, Rua do Relógio, à Igreja de S. Miguel o Anjo,
dali à Nossa Senhora da Graça, dai pela Corredoura à Rua dos Ferreiros até à
Praça, toda a Rua de Santa Maria, Rua das Cabeças, tomando o Arressário até à
Igreja de Santa Maria do Castelo, donde voltará pela Rua de Ega, até se meter
na Misericórdia, visitando com oração o Santíssimo Sacramento nestas Igrejas e
nas demais que ficarem no caminho por onde passar de maneira que mova a devoção
a todos os que acompanharem e se acharem presentes”.
A procissão efectuava-se com
grande luzimento, seguindo o itinerário estabelecido. Durante os sermões da
Semana Santa era costume expor na Igreja o Santo Sudário a que se refere o
seguinte documento: “Miguel
Achioly da Fonseca Castelo Branco, professor da Ordem de Christus, do
desembargo de El-Rei Nosso Senhor e Provedor dos Resíduos e Cativos nesta corte
de Lisboa e seus termos, etc..."
"Certifico que o
Sr. Luís de Sousa Brandão, Provedor da Santa Casa de Misericórdia da Vila de
Castelo Branco, por via do Sr. Marcos Gil Frazão e dos irmãos da Mesa, deste
presente ano, encomendaram se fizesse para a Santa Casa o Santo Sudário e
indo-se desta cidade o Sr. Marcos Gil Frazão, irmão actual dos 12 da Mesa, me
deixou encarregado fizesse e continuasse esta obra de piedade: o que fiz e por
assistir à devoção da dita Irmandade e a servir, como devo, como irmão infinito
dela, pedi ao Dr. João... (ilegível), Prior da Paróquia Igreja
de S. Tomé desta cidade de Lisboa me quisesse fazer mercê (por ser muito afecto e devoto
das ditas Religiosas) de me tocar e medir este Santo Sudário com o
milagroso (ou verdadeiro) que esta no dito mosteiro da Madre de Deus desta cidade, e em que os moradores dela
tem a devoção que a todos é notória, e ele, Padre Prior, mandou vir o Santo
Sudário ao Convento da Madre de Deus e mo tornou a remeter, dizendo-me que não
somente se tocara naquele Santo e verdadeiro do dito Convento mas que por uma
noite inteira esteve junto e embrulhado com ele com muitas orações e lagrimas
das Santas e Veneráveis Religiosas do dito Convento, que o mesmo aconteceu já
com o Santo Sudário que esta na cidade de Turim, corte dos Duques de Saboia e
Príncipes de Piemonte com o que nele mandou tocara Cristianíssima Infanta de
Portugal, história bem sabida: que sendo o verdadeiro Santo Sudário o que
estava na cidade de Turim, saíram ambos em tal forma (por milagre) que hoje não e sabe qual o
primeiro e verdadeiro, se o que ficou e Turim se o que esta no mosteiro da
Madre de Deus desta cidade de Lisboa". (Continua).
O ALBICASTRENSE
terça-feira, outubro 28, 2025
IGREJA DA MISERICÓRDIA VELHA – (2/5)
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O Dr. Bartolomeu da Costa, a quem a Igreja deu o nome de
Venerável, nasceu em Castelo Branco em 24 de Agosto de 1553. Pertencia à
família do célebre Cardeal de Alpedrinha, D. Jorge da Costa. Faleceu em Lisboa
27 de Março de 1608, deixando todos os seus haveres à Misericórdia, por
testamento feito naquela cidade em 30 de Abril de 1605, para a instituição de
um Hospital de Convalescentes a instalar na casa da sua residência situada na
Rua de Ega e que ficou conhecida pela designação de Casa do Tesoureiro Santo.
Os seus bens constavam de duas casas, duas vinhas, seis olivais, noventa s duas
terras de cultura e um padrão de juro de rendimentos de 240$000 reis pago pelo
almoxarifado da Comenda de Cristo. O Prior Manuel de
Vasconcelos era também natural de Castelo Branco. Faleceu em Torres Vedras em
13 de Agosto de 1647, legando à Misericórdia da sua terra, por testamento feito
naquela vila em 6 de Agosto do mesmo ano, toda a sua avultada fortuna, então avaliada
em 50 contos. O ALBICASTRENSE
quarta-feira, outubro 22, 2025
IGREJA DA MISERICÓRDIA VELHA – (1/5)
Uma pedra de granito assente no seu pavimento, sob o arco da capela-mor, tem a seguinte inscrição: “Esta capela foi mandada fazer por Simão da Silva h… da Índia e mandou-lha fazer Anna Correia sua testamenteira á custa dos seus legados que manda os faça em seu testamento”.
Está ilegível o vocábulo que se segue ao nome do testador, supondo-se ser a designação do cargo que desempenhou na Índia. Simão da Silva era um fidalgo natural de Castelo Branco, muito estimado na corte do Rei Venturoso. Camião de Góis refere-se a este fidalgo, na sua crónica do Felicíssimo D. Manuel, narrando o facto de haver sido enviado como embaixador de rei de Manicongo, capitaneando cinco navios onde eram transportados ricos presentes do rei português e sendo portador de seguinte credencial:
“Nos, D. Manuel, Rei de Portugal, etc., enviamos a vós, Simão da Silva, fidalgo da nossa casa, pessoa de que muito confiamos e a quem, por nos ter muito bem e fielmente servido, temos boa vontade, o qual escolhemos para vos enviar, por o termos conhecido por esforçado e de muita fidelidade e que vos dará de si boa conta… Muito vos rogamos que o ouçais e lhe deis inteira fé e crença em tudo o que de nossa parte vos disser e falar, assim como o fareis se por nós fosse dito e falado e em muito prazer o receberemos de vós, e nós esperamos em Nosso Senhor que da ida do dito Simão da Silva vós recebais muito prazer e contentamento e que em todas vossa coisas o acheis assim bom e verdadeiro servidor, como nós nas nossas e em todo o nosso serviço o temos achado, porque por isso o escolhemos para vo-lo enviar e muito vos rogamos que pois prouve a Nosso Senhor que por Sua misericórdia vos alumiar..."
Presume-se que Simão da Silva tenha falecido nesta embaixada pelos anos de 1512 ou 1513 e que a primitiva Igreja de Santa Isabel tenha sido edificada no primeiro quartel do século XVI. Em 1514 o Rei D. Manuel I instituiu o Misericórdia de Castelo Branco, cuja instalação foi feita numas casas anexas à Igreja da Rainha Santa.
“Ouvidor! Nós, El-Rei, vos enviamos muito saudar. Nós somos informados como pela pobreza e pouca esmola da confraria da Misericórdia de Castelo Branco a dita confraria não andava ordenada como cumpria ao serviço de Deus e bem da vila havia três confrarias de Santo André, da Santo Logo e outra de S. João que tinham muitos bens de que se mantinha um Hospital e diziam certas Missas e que, alem disse, sobejava renda e desse sobejo se podia prover e reparar a dita confraria da Misericórdia.
Escrita em Almeirim a 16 de Fevereiro de 1514. Gaspar Roiz a fez, Rei”.
Foi o rei informado de que a população de Castelo Branco se propunha organizar a confraria da Misericórdia, pois decorridos seis meses foi recebida a seguinte mensagem:
“Juízes, Vereadores, Provedor, Oficias e Homens Boa da Nossa Vila de Castelo Branco: Eu, El-Rei, vos enviamos muito saudar. Nós vos temos escrito quando prazer e serviço receberíamos nessa Vila se ordenasse e fizesse a confraria da Misericórdia como em outros lugares principais dos nossos Reinos se faz. E posto que tenhamos sabido que vós o vareis assim e com toda a boa vontade, pois que com ela se faz tanto serviço a Deus, todavia vos quisemos escrever e fazer lembrança quanto obrigação temos a cumprir as obras de Misericórdia que em especial nos são tão recomendadas por Nosso Senhor e que tanto serviço de Deus quanto nela se fará a Ele e a Nós nenhuma pessoa s deve escusar de nela entrar e servir o tempo que for eleito e ordenado por principal e honrado que seja, porque por esses que sabem e podem de há-te ela ordenar e servir como em todos os lugares dos nossos Reinos se faz.
Recolha de dados: “Castelo Branco na História e na Arte”
de Manuel Tavares dos Santos
O ALBICASTRENSE
ACTAS CAMARÁRIAS - (III)
MEMÓRIAS DA TERRA ALBICASTRENSE Acta: 1655 A Rematação da Siza do corrente desta vila: "Anno do nascimento de nosso Senhor Jesus Cris...
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EU SÓ QUERIA ENTENDER.... Volto a um assunto que já aqui abordei várias vezes, estou a fazê-lo novamente porque ao passar hoje pe...
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" PATRIMÓNIO DA TERRA ALBICASTRENSE " O texto sobre o bordado de Castelo Branco que vão ler a seguir é, da autoria de...
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LISTA DE TODOS OS GOVERNADORES CIVIS DE CASTELO BRANCO: (1835 - 2011) O Governo Civil, em Portugal. foi um órgão da administração públic...

































