quarta-feira, novembro 15, 2006

MEMÓRIAS DA MINHA CIDADE


BAIRRO LEONARDO

No dia 21 de Outubro de 1940, faleceu em Castelo Branco, o conceituado industrial Leonardo José de Sousa de 68 anos de idade. De origem bastante modesta, singrou na vida, a pulso. Iniciou a sua actividade comercial, instalando uma taberna na cidade. Posteriormente, ligou-se á indústria corticeira. Em 1907, numa altura de grande a recessão económica e os operários albicastrenses atravessavam uma enorme crise laboral, Leonardo de Sousa tomou a iniciativa de construir a expensas suas, dezenas de casas de habitação, para depois arrendar a preços módicos, a trabalhadores que laborassem na sua fabrica. Foi deste modo que surgiu o tão conhecido e popular Bairro do Leonardo, nome este que se estendeu a toda aquela zona citadina, em tácita memória e expressiva homenagem, de todos os albicastrenses, a Leonardo de Sousa, o qual permanece na lembrança de todos os naturais de Castelo Branco. Há mesmo quem considere Leonardo de Sousa, como sendo o pioneiro do desenvolvimento e renovação urbanística, que cinco décadas mais tarde se veio a verificar em Castelo Branco.
De notar que em 1940, residiam em Castelo Branco, 12.763 habitantes.

PS. A recolha dos dados históricos é de José Dias.
A compilação é de Gil Reis e foram publicados no Jornal ”A Reconquista”
O Albicastrense

segunda-feira, novembro 13, 2006

Museus fora da rede nacional

Museus regionais fora
Da
Rede Portuguesa de Museus

Isabel Pires de Lima, Ministra da Cultura afirmou durante o debate do Orçamento
de Estado para 2007, na Assembleia da Republica, ser intenção do governo remeter para as Câmaras Municipais a gestão dos museus nacionais que têm uma linha marcadamente regional.
Ouvido pela Agência Lusa Joaquim Morão o Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco (Socialista) disse desconhecer as afirmações de Isabel Pires de Lima.
Joaquim Morão, afirmou ainda defender a continuação do Museu Francisco Tavares Proença na rede Portuguesa de Museus, adiantando “só estamos disponíveis mediante condições que não sejam prejudiciais para a Câmara”
O Presidente da Câmara, assegurou ainda que a autarquia iria estar atenta a futuros desenvolvimentos sobre o assunto.
O Presidente da Câmara da Guarda (Socialista) pronunciou-se igualmente sobre o assunto tendo afirmado aceitar a gestão do Museu da cidade, desde que a medida seja acompanhada por “transferências financeiras” tendo acrescentado ainda que por “principio não achava mal, acho até muito bem”, afirmou o autarca há agência Lusa.
O engraçado neste problema, (se for possível dar alguma graça a este assunto), não é o governo querer entregar às referidas autarquias a gestão dos Museus em causa, (pois deste governo os Portugueses bem podem esperar sentados algo de bom), mas antes as reacções dos Presidentes das Câmaras sobre o assunto em causa.
Qual é a parte do bolo que nos vai calhar?

É caso para aqui lembrar uma velha canção: ”money, money, money”…
Meus senhores não seriam mais lógico perguntar-se desde logo, será que as referidas instituições, assim como as populações locais, ficam melhor servidas com a integração dos Museus nas suas autarquias?
Ou será que as medidas do governo (PS) a que pertencem são mais importantes que os interesses das populações que juraram defender?
O silêncio sobre o assunto é total, a discussão entre os responsáveis culturais do burgo é silenciosa, podendo até dizer-se que o silêncio é de ouro. Atrever-me-ia a dizer que depois das medidas tomadas e aplicadas pelo MC iremos com certeza protestar silenciosamente.
Como já aqui afirmei por diversas vezes, trabalhei no Museu Francisco Tavares Proença Júnior ao longo de 27 anos, e durante esse tempo assisti a muita “merda” vinda de Lisboa e dos seus mentores culturais. Durante esses mesmos anos existi igualmente ao trabalho cultural desenvolvido pelas várias vereações da nossa autarquia, podendo expressar que também aqui, a cultura é filha bastarda do orçamento.
Gostaria no entanto de aqui ressalvar algum trabalho feito pela actual vereação da Câmara Municipal de Castelo, que considero positiva.
Perante tal cenário qual a resposta dos albicastrenses quanto ao futuro do seu museu? Comente e dê a sua opinião!
O Albicastrense


quarta-feira, novembro 08, 2006

FOTOGRAFIAS DE CASTELO BRANCO

VENDO FOTOGRAFIAS

DE

CASTELO BRANCO

(RECENTES OU ANTIGAS)

Imagens de Castelo Branco, de 1900 a 2003 a cores ou preto e branco.
Para colocar em Cafés, Restaurantes ou casas particulares
Imprimidas em papel fotográfico ou tela

Seja bairrista e coloque no seu estabelecimento imagens antigas da nossa cidade.


quinta-feira, novembro 02, 2006

O NOSSO VELHO RELÓGIO

O RELÓGIO DA TORRE DE CASTELO BRANCO

O velho relógio instalado numa das torres que integravam o sistema de defesa da velha urbe, tem constituído um dos elementos mais marcantes da estrutura da vida da cidade de Castelo Branco ao longo dos tempos. O seu funcionamento e respectiva manutenção são da responsabilidade da Câmara Municipal de Castelo Branco há quase duzentos anos.
Porém desde há algum tempo o tempo parou por ali, e hoje o referido cujo, encontra-se ferido de “morte”, pois nada nos diz acerca do tempo.
As obras necessárias para a sua reparação começaram no entanto. Parece que o tempo de reforma do dito cujo, se aproxima, pois não se vislumbram melhoras na sua recuperação. São recaídas e mais recaídas! Serão sintomas de agonia de que os médicos “relojoeiros” não dão conta?
O diagnóstico parece reservado e sem fim a vista:
“Enterre-se o defunto!” - proclama-se em alta voz.
Agora mais a sério, que raio se passa com o velho relógio?
Será desleixo, falta de cuidadosa assistência ou não há relojoeiro que consiga pô-lo a trabalhar convenientemente?
Será necessário a vinda de algum relojoeiro Suíço, para o seu restauro, meus senhores?

O Albicastrense

domingo, outubro 29, 2006

CINEMA NO PARQUE DA CIDADE

“Um bilhete de Cinema”

O revistar de algumas velharias que todos nós temos em casa, proporciona-nos por vezes gratas recordações, assim aconteceu comigo há alguns dias, quando dentro de um livro encontrei este velho bilhete de cinema do antigo parque da cidade.
O cinema ao ar livre, no então dominado ”Parque Desportivo”, hoje mais conhecido por Parque dos Loureiros foi inaugurado em 1921, e ali permaneceu durante mais de 50 anos.
Mais de cinquenta anos de fitas cinematográficas que terão ficado na memória de muitos albicastrenses. Quem não se lembra dos filmes de John Wayne, Gary Cooper, James Stewart, Clark Gable, Henry Fonda, Alain Delon, Jean – Paul Belmondo, Lino Ventura e tantos e tantos outros, ou das actrizes Brigitte Bardot,
Jeanne Moreau, Sofia Lorem, Claudia Cardinale ou ainda dos realizadores Francois Truffaut, Roger Vadim ou Claude Lelouche, John Ford, John Huston, Sérgio Leone e por fim o grande Alfred Hitchcock.
O cinema de ontem é muito diferente do de hoje, para melhor dirão alguns, para pior dirão outros. Como cinéfilo que sou, direi apenas que está diferente, e acrescentarei que saudades tenho eu de alguns
(bons velhos) filmes!!!
Na década de sessenta, (tinha eu na altura 15 ou 16 anos de idade), quando no cimo de uma árvore, bem lá no cimo, que se encontrava mesmo ao lado da casinha onde se vendiam os bilhetes para o cinema, no antigo parque da cidade, (neste momento não sei se esta arvore, ainda lá está, ou se a febre do corte também a levou), vi um filme que ainda hoje guardo na memória e que gostaria de aqui repartir, com todos aqueles que eventualmente possam gostar de cinema.

O Mensageiro do Diabo “The Night of the Hunter”
De
Charles Laughton;
Com “
Robert Mitchum”.

O Mensageiro do Diabo conta a história de um indivíduo que é condenado à forca por roubo e homicídio e antes de entrar na prisão, deixa a seus filhos o dinheiro roubado, obrigando-os a jurar que não revelarão o segredo a ninguém. Na cadeia, conhece um pregador (Robert Mitchum), que tenta por todos os meios averiguar onde está o dinheiro. Quando o pregador sai da prisão, vai à procura das crianças, decidido a ficar com o dinheiro. O Mensageiro do Diabo é um extraordinário conto de fadas em que a verdade depende sempre da inocência e a astúcia das crianças, e onde os adultos são, na sua maioria, corruptos, bobos ou malvados. O mensageiro conta com excelentes actuações: de Robert Mitchum e Lilian Gish, e uma impressionante fotografia expressionista, e foi feito em 1955.
Infelizmente para todos, esta foi a primeira e última vez que o genial actor Charles Laughton se colocou atrás das câmaras, produzindo um filme inquietante que com o passar dos anos se tornaria uma verdadeira obra de culto.

Foi ainda em finais da década de sessenta que ali vi o filme, (que hoje tenho em DVD), que considero um dos meus melhores filmes de sempre. Estou a referir-me a: ”ACONTECEU NO OESTE”.

Deste filme disse Sérgio Leone, na época.

“ O ritmo do filme pretende criar a sensação dos últimos suspiros que uma pessoa dá antes de morrer. ACONTECEU NO OESTE, é do princípio ao fim, uma dança de morte, todas as personagens do filme, excepto Cláudia Cardinale, tem consciência do facto de que não vão chegar ao fim vivas”.

Para terminar apenas uma pergunta.
Sendo a indústria cinematográfica uma actividade bastante lucrativa, (e só assim se compreende as quantias astronómicas pagas a algumas “estrelas”), a realização de pequenos ciclos de cinema a preços convidativos, no parque da cidade em plena época de verão, não seria um bom negócio? E ao mesmo tempo uma boa aposta na promoção do cinema “fora-de-casa”? Responda quem souber ou quem quiser!
O Albicastrense

quarta-feira, outubro 25, 2006

ALBICASTRENSES ILUSTRES


JOAQUIM MARTINS BISPO
(1878 - 1956)
Gostaria de aqui fazer uma pequena homenagem a um familiar meu (tio avô) cuja fotografia descobri acidentalmente no livro “ISTOPÍA”, já aqui referenciado por mim.
Nos apontamentos de Gil Reis publicados no jornal ”Reconquista”. Descobri o texto referente a este meu familiar, que aqui se segue.

A 26 De Maio de 1956, faleceu em Castelo Branco o decano dos comerciantes, Joaquim Martins Bispo, que contava 78 anos de idade. Era proprietário do estabelecimento comercial “A Popular”, casa fundada em 1899. 
Entre as várias iniciativas deste grande bairrista, consta-se a construção da actual entrada do Paço e respectivo grandil (1936), assim como a edificação do Hotel de Turismo, de saudosa recordação.
Joaquim Martins Bispo foi vereador e presidente da edilidade concelhia, presidente da Associação Comercial de Castelo Branco, Administrador do Concelho e Comissário da Policia, em 1916. Foi ainda director do Clube Harmonia, director e componente da Orquestra de Castelo Branco e director do Teatro de Castelo Branco.
Como homenagem a este albicastrense (meu familiar), aqui fica a fotografia do saudoso Hotel de Turismo, que ele ajudou a erguer, e que uns “tontos” resolveram mandar abaixo em 1973, para ali construir o brilhante e luxuoso hotel, que hoje lá podemos ver.
O Albicastrense

sábado, outubro 21, 2006

BARATA MOURA

PINTOR BARATA MOURA

"RETROSPECTIVA"
"de 20 de Outubro de 2006
 a 
22 de Janeiro de 2007"

Museu Francisco Tavares Proença Júnior
Castelo Branco

Nascido em Castelo Novo em 1910, migrante para Lisboa aos 17 anos onde estudou e se fez homem (primeiro na Escola de Artes Aplicadas, depois na Escola António Arroio) o pintor Barata Moura levou no seu coração a límpida luminosidade dos céus da Gardunha, o cheiro acre e adocicado das plantas que pontuam os cantos da Beira, as casas e os caminhos marcados pelos passos da gente humilde e, ainda, os castelos e os pelourinhos das vilas da raia.
A rota dos anos e os ares da cidade não desvaneceram os laços de profundo afecto que ligavam o Artista aos víveres modestos das gentes da região onda nascera.
E, por uma subtil mas consistente alquimia, foi esta realidade vivencial da sua infância e da sua adolescência que Barata Moura soube transpor para a sua pintura. Daí que “ pintor da Beira” lhe tenham chamado, acrescentando-se à expressão uma outra não menos convincente: “pintor do povo”.
A este homem-artista, de ilimitada generosidade, de alma aberta, fraterna e solidária, muito deve o Museu de Francisco Tavares Proença Júnior. O conjunto de quadros que pintou e que tem o rio Tejo, da nascente à Foz, como elo temático e, também a colecção de telas da sua autoria representando os Castelos e os Pelourinhos da Beira constituíram, um e outra tornados exposições itinerantes, poderoso meio de divulgação de valores patrimoniais da nossa região, formalizando, em época e em tempo em que a palavra de ordem consistia em aproximar o povo da cultura, significativo instrumento didáctico.
Como pintor (e pensamos no multifacetado repertório da sua actividade), o seu apego às raízes e a sua criação próxima das fontes implicaram absoluta identificação com conteúdos e formas que, no universo da realidade visual que era o seu, se revelaram de total e permanente constância no decurso de uma longa vida de artista. Pintor de proximidade e consciência de que a sua arte era uma arte de fixação (o olhar do pintor incidia sempre, e sem provocações imediatas, na captação de imagens da natureza dotadas de significação em cenários físicos e humanos), Barata Moura objectivou sem distorções ou idealizações, toda uma ruralidade em mutação acelerada.
Por outro lado, releve-se que a filiação realista/naturalista que suporta o dilatado desenvolvimento da sua obra traduz hoje uma passada atitude mais conservadora ou um consciente desapego relativamente a outros caminhos estético-pictorios correntes no Portugal do século XX. Atitude aliás muito peculiar que tem a ver, ao fim e ao cabo, com a função social do acto de pintar.
A simplicidade (quantas vezes aparente) dos ciclos naturais da vida, conseguiu o Pintor testemunhá-la mediante a utilização de uma paleta forte e exuberante em contraste, quantas vezes, com os elementos humanos na mesma, tornada composição, representados.
Pintura que afinal se individualiza ainda pelo não raro teor de denúncia que a enforma e que podemos apreender em variadas telas.
Não se trata, pois e tão somente, de um pintor de” líricas” paisagens, copiador fiel de uma natureza estática, mas antes de um, artista que foi capaz de captar, interpretando-as, a tristeza e a solidão, pertinentes evidências num mundo rural, em gentes e espaço em acentuada desagregação.
Castelo Branco, Outubro de 2006, António Forte Salvado.
PS. A todos os responsáveis por esta bela Exposição Retrospectiva, apenas duas palavras, Bem-haja.

Ao mestre Barata Moura, um grande abraço do Albicastrense
O ALBICASTRENSE

LÁPIDES DO ANTIGO QUARTEL DA DEVESA

LÁPIDES EXISTENTES  NO  ANTIGO QUARTEL DE CAVALARIA 8  No antigo quartel da Devesa existiam várias lápides, entre essas lápides, existiam as...