quinta-feira, abril 07, 2011

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - XLV

A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940. A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Rodrigues Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, (Trabalho que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes).
O texto está escrito, tal como foi publicado. Os comentários do autor estão aqui na sua totalidade.
(Continuação)
Toda a gente sabe que o Tanque da Graça era o que hoje se chama o chafariz da Graça, melhorado depois daquela data, bem atendido. A Páqueixada, a Fonte do Tostão e a Fonte Nova ainda conservam os mesmos nomes e todos as conhecem. O que nem todos saberão (apesar de nos parecer que já uma vez o dissemos) é o que era e onde ficava a Fonte da Devesa. Pois fiquem sabendo que essa fonte era o que hoje se chama chafariz de S. Marcos.
A Devesa abrangia uma grande extensão. Ia até ao extremo leste do Cansado e vinha desde a Barbacã, que se estendia por onde hoje está a Avenida Vaz Preto e a Rua Tenente Valadim.
Na sessão imediata, que se realizou em 12 de Setembro, primeiro é feita a leitura da provisão régia que, como já dissemos, nomeava dois membros novos da Câmara em substituição de dois que tinham falecido.
A seguir nomeavam para procuradores do povo, “para servirem do prezente dia em diante. João de Mendanha Valladares e António Ignacio Cardozo Frazão”.
Ainda depois: Determinarão que ninguém vindimasse suas vinhas senão depois do dia de São Miguel em diante sob pena de três mil reis pagos de cadeia depois de seis dias de prisão. Nada menos do que isto: seis dias de de cadeia e três mil reis de multa a quem vindimasse antes do dia de São Miguel. Mas depois os homens arrependeram-se, porque, no dia 24 de Setembro, “deram licença, para que todos vindimassem suas vinhas de hoje em diante e se mandou lanssar, pregão para o mesmo”.
Temos agora um salto de quase um mês, visto que a sessão seguinte se realizou em 23 de Outubro. O que se passou nesta sessão mostra que já nesse tempo os vereadores da região eram, pouco mais ou menos, o que hoje são na sua grande maioria. A respeito de saberem unir-se e cuidar da defesa dos interesses comuns... estamos conversados! Façam favor de ler:
Na mesma vereação de vinte e três de Outubro de 1790 depois dos Vereadores com assistência dos Perfuradores do Povo terem examinados os livros porque se tem repartido e recolhido o pam do Monte da piedade que foy instetuido para beneficiar os lavradores deste termo e cujo fim se tem faltado pello pouco cuidado que tem havido na a recadação do mesmo pam nos respectivos anos da sua repartição ficando por esse motivo sendo innutil por não se poder repartir nos annos seguintes o que se tem particado principalmente nos três anos próximos passados em que apenas se tem recolhido poucos alqueires, e considerando os mesmos vereadores este Monte da piedade não pode nem deve subsistir sem confirmação de S. Majestade para cujo fim tendo-se-lhe feito varias reprezentacoens foram huas ascuzas e outras indeferidas:
Determinarão que tombado a pam que prezentem se acha no soleyro de vende depozitandose o seu produto para se restituir a cada hum dos conselhos as quantias com que concorrerão para o dito Monte:
E outro sim determinarão que se executassem todos os actuais devedores visto terem faltado com pagamento: nomeando para Procurador desta execução a Manoel António de Carvalho que servira tãobem de depozitario ao qual se pagarão todos os selarios que lhe forem arbitrados fezendosse todas as despezas à custa do mesmo seleyro.
E pronto. Por desleixo, por cada um pensar só em si e não se importar para nada com os outros, por não se preocuparem pouco nem muito com o cumprimento dos seus deveres, lá deixaram os lavradores ir por água abaixo o celeiro comum dos lavradores ou monte da piedade, que podia prestar e realmente prestou nos dois ou três primeiros anos, relevantes serviços aos agricultores, especialmente aos menos abonados! Na ocasião das sementeiras, os que não tinham nem sementes nem dinheiro para as comprar encontravam-nas ali, emprestadas quase sem encargos até à época das colheitas, pagando então nas mesmas espécies o que lhes tinham emprestado .
Deixaram cair tão útil instituição e o resultado foi caírem depois nas mãos dos usuários e verem-se cada dia mais pobres.
(Continua)
PS. Mais uma vez informe os leitores dos postes “Efemérides Municipais”, que o que acabou de ler é, uma transcrição fiel do que foi publicado na época.
O Albicastrense

1 comentário:

  1. Anónimo12:32

    Posso informar que hoje às 10 horas da manhã andava uma máquina de uma empresa que faz obras para a câmara a arrancar as raízes dos cedros cortados.
    Pelos vistos estavam a ter bastante trabalho porque o raio das raízes não queriam sair. Tudo indicava que os cedros afinal de contas não estavam podres. Podre deve estar a sua consciência.
    Agora estão com pressa de esconder a barbaridade que cometeram para não serem censurados por todos os que forem à festa da Sra. de Mércules. Esta gente são uns hipócritas. Têm a religião na boca, mas não no coração.

    O Chacal

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