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quinta-feira, outubro 31, 2013

CHAFARIZ DE S. MARCOS

São Marcos
UM CHAFARIZ ABANDONADO POR TODOS
Ao longo dos oito anos da existência do blog: “Castelo Branco - O Albicastrense”, abordei por variadas vezes (irei fazê-lo mais cem vezes se por necessário) a desgraçada condição em que se encontra o velho chafariz de S. Marcos e do triste estado do largo que lhe dá nome.
Passei por lá para ver como estão a decorrer as obras do pequeno parque de estacionamento que ali está a ser construído, confesso que fiquei (mais uma vez) indignado, pelo estado degradante em que se encontra o velho chafariz.
As imagens que captei no local, mostram a desgraçada situação a que deixaram chegar o velho chafariz, estado que deveria encher de vergonha todos aqueles que tendo por obrigação e dever zelar pela protecção o nosso património, o deixaram chegar ao ponto que as imagens mostram.
Confesso que por mais que tente, não consigo compreender e muito menos aceitar, que Joaquim Morão, responsável pela construção de várias infraestruturas importantíssimas na terra albicastrense, tais como, o Museu Gargaleiro, Biblioteca Municipal, Centro de Arte Contemporânea e muitas outras, tenha deixado a autarquia da terra albicastrense, sem ter recuperado o velho chafariz e o respectivo largo.
Após os muitos apelos aqui deixados sobre o velho chafariz, apelos que não tiveram eco junto dos responsáveis pela autarquia da terra albicastrense de então, só resta a este albicastrense, renovar os apelos aos atuais responsáveis pela autarquia da sua terra, e dizer-lhes, que manter o velho chafariz nas condições em que está, é dizer que a terra albicastrense e os seus habitantes, se estão cagando para o seu património e para o seu passado.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Construído em finais do século XVI, numa época em que os arrabaldes da antiga vila de Castelo Branco cresciam e havia a necessidade de efectuar um melhor aproveitamento das aguas nascentes, assim como dos velhos poços existentes na vila.
O velho chafariz de S. Marcos (inicialmente conhecido por chafariz da Defesa), é composto por um espaldar definido por duas pilastras ladeadas por volutas que assenta num tanque rectangular em péssimo estado. O chafariz apresenta elementos decorativos, inspirados na arquitectura manuelina, no espaldar estão gravados relevos com a representação do escudo nacional, ladeado à direita pela esfera armilar e à esquerda por flores-de-lis sob a Cruz de Cristo.

J. A. Porfírio Silva, no seu "Memorial Chronológico e Descriptivo da Cidade de Castelo Branco" , diz o seguinte sobre o velho chafariz.
“O chafariz de São Marcos é assim denominado por estar próximo à capella de S. Marcos. A sua agua que sai por uma só bica, é salobra e pouco aceiada, e por isso só serve para usos muito ordinários, e para os gados beberem. Tem a nascente na encosta do Castello, d'onde corre por un canno subterrâneo até ao seu destino, excepto no rigor do estio em que séca totalmente. 
A construção deste chafariz por ser bastante ordinário nada tem de notável; e à vista da pedra d'armas que nelle se acha mui simihante á que existe na casa da camara, pôde-se presumir que a edificação será da mesma época”, (palavras pouco elogiosas, para o nosso velho chafariz).
Resta acrescentar, que o velho chafariz está classificado como; IIP (“Imóvel de Interesse Público”,) pelo decreto nº 95/78, DR, I Série, n.º 210, de 12-09-1978). 
Perante tal honraria, só posso concluir, que nem tal mérito lhe serve para ter a cara lavada e ser respeitado por quem dirige e terra albicastrense.
O Albicastrense

sexta-feira, maio 22, 2020

CHAFARIZ DE S. MARCOS -



OPORTUNIDADE PERDIDA

Quando espalhei nas redes sociais a miserável condição em que se encontrava o nosso velhinho Chafariz de S. Marcos.
Quando nas sessões públicas da assembleia municipal da terra Albicastrense, me insurgi contra o abandono do velho chafariz e contra as maldades cometidas contra ele ao longo dos tempos. 
Não posso deixar de confessar, que nessa altura  o que tinha em mente, era que ele fosse recuperado através de uma limpeza do granito, da reparação dos muros laterais do chafariz e da resolução do estacionamento frente ao Chafariz.  
Quando no início do ano vi uma equipa de arqueólogos a “esgravatar” ao seu redor, os meus velhos neurónios agitaram-se e parafrasearam entre si: “desta vez as coisas vão ser feitos como deve ser”. Com o andar das escavações  (escavações que foi acompanhado, passo a passo), confesso que me entusiasmei e comecei a pensar em algo mais sério.
Comecei a imaginar: (a minha loucura), que talvez fosse possível restituir ao velho chafariz, a identidade “roubada” ao longo dos tempos, por gente sem qualquer tipo de piedade para com o património da terra Albicastrense.
Comecei a imaginar: (a minha estupidez), que o estudo apresentado pelos arqueólogos, iria mostrar as maldades cometidas contra o velho chafariz.  
Comecei a imaginar: (a minha parvoíce), que parte da antiga galeria por onde passava água no passado, encontrada nas traseiras do velho chafariz, poderia ficar visível de forma a mostra como a água chegava ao chafariz  
Comecei a imaginar: (santa ingenuidade), que o velho tanque do chafariz enterrado por uns idiotas no século passado, iria finalmente ser desenterrado e ficar a céu aberto.
Comecei a imaginar: que na nossa autarquia havia gente disposta a corrigir erros do passado, pessoas que iriam restituir ao velho chafariz parte da beleza roubada.

Nada do que eu imaginei ou pensei, vai acontecer!

Hoje ao passar pelo largo de S. Marcos fui surpreendido com aquilo que as imagens mostram. As covas abertas para se investigar o passado do nosso chafariz foram tapados, com cimento (não fossem algumas almas penadas infiltrar-se por ali), grande parte do tanque e a antiga galeria por onda passava água, são de novo SEPULTADOS.
Palavra que olhei para tudo aquilo e nem queria acreditar, os meus velhos neurónios negavam-se a dar-me respostas ao que os meus olhos contemplavam e ali fiquei imóvel e em silêncio, durante algum tempo.

COMO POSSO EU FINALIZAR  ESTA PUBLICAÇÃO! 
Apenas me ocorre dizer o seguinte: O Velho Chafariz de S. Marcos foi uma causa que abracei de alma e coração-aberto, causa em que não me sinto nem vencedor nem derrotado, mas antes, muito desiludido pela resultado final. 
Tivemos a oportunidade de corrigir erros do passado, mas  alguém proferiu deixar tudo quase na mesma. 
O ALBICASTRENSE

quarta-feira, janeiro 02, 2019

CHAFARIZ DE S. MARCOS

UMA TRISTE SITUAÇÃO 
QUE ENVERGONHA  A TERRA ALBICASTRENSE.  
EM DEFESA DO CHAFARIZ DE SÃO MARCOS

O primeiro poste de 2019, só podia ser sobre uma pérola da terra albicastrense abandonada por todos nós.
Em 2008 postei aqui uma publicação sobre o nosso velhinho chafariz de S. Marcos, depois disse, voltei a falar do assunto mais cinco vezes. Onze anos depois, o velho chafariz continua abandonado e acha-se cada fez pior, ou seja, de nada ajudaram as minhas súplicas para que algo fosse feito em seu beneficio. 
Fui visita-lo no primeiro dia do novo ano, confesso que vim de lá enfurecido e disposto a apertar o pescoço a quem me aparecesse pela frente, que tivesse responsabilidades pela desgraçada situação em que o triste chafariz de se encontra.
As imagens aqui postadas foram recolhidas nessa minha visita, imagens, que deveriam cobrir de vergonha, todos os responsáveis políticos da terra albicastrense, assim, como enfurecer todos os albicastrenses que verdadeiramente adoram a sua terra.
Como forma de agradecer ao velho chafariz o muito que deu a terra albicastrense, resolvi voltar a postar uma entrevista feita pela dupla "Bigodes & Companhia" em 2008.
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O chafariz de São Marcos está classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto nº 95/78, DR 210 de 12 Setembro 1978.
A dupla, “Bigodes e Companhia”, conhecedores das minhas intenções de apresentar neste bloque o historial dos Chafarizes da nossa cidade, resolveram fintar-me, (são uns invejosos) e munidos dos respectivo acessórios para esta tarefa, foram fotografar e entrevistar o velho chafariz de S. Marcos.
Aqui fica a entrevista entre o velho chafariz e a  dupla "Bigodes e Companhia". Gostaria no entanto de esclarecer, que o blogue, “Castelo Branco – O Albicastrense”, não se responsabiliza por este trabalho maluco.
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- Eminente chafariz, em primeiro lugar gostaríamos de agradecer esta conversa, pois somos sabedores que um tal, ”Albicastrense” se preparava para o vir chatear com perguntas patetas.
- Perguntem, eu gosto de contar a minha história. 
- Como é ter nome de Santo?
- Sabem eu nem sempre tive este nome, no início era conhecido como Chafariz da Devesa.
- Da Devesa!  Sim … 
Por volta do século XVI ou XVII, (a minha memória já deixa muito a desejar) já aqui estava instalado. Este local fazia parte da extensão de terreno que ia desde a antiga muralha, (atual rua Vaz Preto) até ao sítio do cansado. 
Só muito mais tarde e graças à Capela que tenho como vizinha, foi batizado com o nome porque me conhecem hoje.
Sabem, esta coisa de ser chafariz é uma tristeza, já nada querem connosco, pois estamos praticamente abandonados. 
- São mais de 400 anos de existência. 
- Foram muitas as gerações de albicastrenses, que por aqui passaram.
Nos primeiros tempos, os albicastrenses vinha beber a água que jorrava da minha boca, conversar, desabafar, namorara e até brincar com a minha água. Com o passar dos tempos perdi beleza e popularidade.
Os residentes da nossa cidade esqueceram-me, os políticos desprezaram-me, e até as mulheres que aqui vinham lavar a roupa deixaram de o fazer. Por fim até a bicharada que aqui vinha beber a minha água, deixou de aparecer.
- Está muito magoado com os albicastrenses? 
- E com razão… vocês sabem de onde vinha a água que eu dava a beber aos moradores da nossa cidade nesses tempos?
- Não!
- Pois, ninguém sabe!
- Hoje já ninguém quer saber da história dos velhos chafarizes da nossa cidade. Mas eu vou dizer-lhe; a minha água era oriunda de um nascente que germinava numa das encostas do castelo da nossa cidade, e conduzida até mim por meios subterrâneos. Hoje nada sei do líquido que me corre nas entranhas. 
Sofri muitas reparações ao longo dos tempos, porém, muitas delas foram autênticos absurdos. Vocês acham que estou bem conservado?
- Para ser-mos sinceros… está uma autêntica desgraça.
- Vocês têm cara de parvos mas pelo menos são honestos! Vejam no século XIX, sofri mais uma das muitas reparações que me fizeram ao longo dos tempos. Nessa reparação entre outras coisas, substituíram-me a boca de granito que dava de beber à bicharada, por um tubo de ferro!
- Não pode ser!
- Pode… pois, ainda hoje a tenho. No século XX (a última reparação que sofri), o meu tanque que tinha sido construído no século XVII, foi quase engolido pelo chão como podem ver.  Mas nem tudo foi mau nestes cerca de 400 anos!
- Ah… então também ouve coisas boas!
- Sim!
- Em Abril de 1655 a autarquia da nossa cidade reconhecendo a minha importância, (nessa altura ainda me chamavam de Chafariz da Devesa) aprovou um documento em sessão Camarária, onde determinou o seguinte: 
“Toda a pessoa de qualquer qualidade que seja, que lavar no dito tanque dele ou fora dele roupa ou outra qualquer coisa pagará pela primeira vez dois mil réis e pela segunda quatro; toda a pessoa que lançar alguma pedra pequena ou grande no dito tanque pagara dois mil réis e a mesma pena terá qualquer pessoa que tirar pedra do cano do dito chafariz ou derrubar alguma pedra do bordo por baixo do tanque; toda a pessoa que derrubar alguma das ameias do tanque pagará seis mil réis de coima; toda a pessoa que no dito tanque aguçar alguma ferramenta no bordo ou em alguma pedra do dito tanque pagará dois mil réis. As quais condenações todas serão pagas na cadeia e sendo filho, pagará seu pai por ele e qualquer pessoa com uma testemunha o pode a coimar”.
- Bons tempos esses! Tempos, em que se preocupavam comigo.
- Mas em 1978, foi considerado Imóvel de Interesse Público.
- De que serve tal distinção! Se a água que irrompe da minha boca, não serve para matar a sede a quem por aqui passa. 
Se o meu tanque está cheio de porcaria e ninguém se preocupa em limpa-lo. 
Se as minhas paredes estão uma indecência e ninguém as pinta. 
Se alguém quiser uma fotografia minha, tenha que levar como brinde na minha foto a imagem e de uma carrinha que aqui tem garagem. 
É caso para dizer: “Sou considerado imóvel de Interesse Publico, no entanto, ninguém cuida de mim, como seria se não tivesse qualquer classificação”?
- Amigo Chafariz de S. Marcos, a dupla “Bigodes e Companhia” lamenta profundamente o seu miserável estado de saúde. Promete-mos voltar quando tivermos boas notícias, Bigodes e Companhia

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PS. Onze anos depois da publicação desta pateta "entrevista", mas com dados históricos verdadeiros, nada mudou (perdão!.. está tudo pior), acabo atestado o seguinte: O infame estado em que se encontra o nosso velhinho Chafariz de S. Marcos, faz rebolarem nos seus túmulos os albicastrenses que no passado o ergueram, os de hoje, (independentemente de se estarem borrifando para ele), assim como a terra albicastrense.
                                                    O Albicastrense

sexta-feira, março 22, 2019

MEDALHA DE MÉRITO E RESISTÊNCIA, NO 248º ANIVERSÁRIO DA CIDADE DE CASTELO BRANCO.

                                                  CHAFARIZ DE SÃO MARCOS
Três notáveis albicastrenses foram distinguidos pela nossa autarquia no 248º aniversário da nossa cidade, com a medalha de ouro da cidade.
Perante esta excelente ideia, este albicastrense não pode deixar de a plagiar, atribuindo também ele, a medalha de Barro Dourado, a quem no seu entender (pessoa, instituição ou monumento), tenha contribuído de alguma maneira para o engrandecimento da terra albicastrense. 
Bem gostaria eu, que a medalha fosse de ouro (bem grosso), contudo, como sou um explícito teso, fico-me pela de barro dourado, porém, como nestas coisas o mais importante é a intenção, penso que os galardoados não se importarão (ou estarei eu enganado!).   
A referida medalha, é atribuída este ano, não a uma pessoa, mas a um monumento da terra albicastrense. O digno destinatário da medalha de 2019 é : O Chafariz de São Marcos.
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- Independentemente da falta de amor e carinho dos que comandaram a terra albicastrense nas últimas três décadas, teimosamente o velho chafariz continua a resistir.
- Independentemente de muitas vezes fazerem do seu pequeno pátio, um parque de estacionamento, teimosamente o velho chafariz continua a resistir.
- Independentemente de lhe terem deixado entrar o salitro no granito, teimosamente o velho chafariz continua a resistir.
- Independentemente de terem transformado o seu pequeno tanque, num tanque porcalhão, teimosamente o velho chafariz continua a resistir.
- Independentemente de terem deixado ruir parte do muro que pega com o velho chafariz, teimosamente o velho chafariz continua a resistir.
- Independentemente da falta de interesse dos albicastrenses por este velho chafariz, ele não nos abandona e, teimosamente o velho chafariz continua a resistir.
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Por todas estas razões e muitas outras, o vencedor da medalha de Mérito e Resistência em Barro Dourado no 248º aniversário da terra albicastrense, foi como já disse anteriormente: O CHAFARIZ DE SÃO MARCOS.
O Albicastrense

sábado, outubro 07, 2023

ÁLBUM FOTORÁFICO DO CHAFARIZ DE S. MARCOS


 CHAFARIZ DE SÃO MARCOS

ATRAVÉS  DOS TEMPOS


(ÁLBUM FOTOGRAFICO DE UMA RELÍQUIA DA TERRA ALBICASTRENSE) 

Construído em finais do século XVI, numa época em que os arrabaldes da antiga vila de Castelo Branco cresciam e havia a necessidade de efetuar um melhor aproveitamento das águas nascentes, assim como dos velhos poços existentes na vila.
O velho chafariz de S. Marcos (inicialmente conhecido por chafariz da Defesa), é composto por um espaldar definido por duas pilastras ladeadas por volutas que assenta num tanque retangular em péssimo estado. 
O chafariz apresenta elementos decorativos, inspirados na arquitetura manuelina, no espaldar estão gravados relevos com a representação do escudo nacional, ladeado à direita pela esfera armilar e à esquerda por flores-de-lis sob a Cruz de Cristo.
J. A. Porfírio Silva, no seu "Memorial Chronológico e Descriptivo da Cidade de Castelo Branco", diz o seguinte sobre o velho chafariz.
“O chafariz de São Marcos é assim denominado por estar próximo à capella de S. Marcos. A sua água que sai por uma só bica, é salobra e pouco asseada, e por isso só serve para usos muito ordinários, e para os gados beberem. Tem a nascente na encosta do Castelo, d'onde corre por um cano subterrâneo até ao seu destino, exceto no rigor do estio em que seca totalmente. 
A construção deste chafariz por ser bastante ordinário nada tem de notável; e à vista da pedra d'armas que nele se acha muito sitiante á que existe na casa da camara, pôde-se presumir que a edificação será da mesma época”, (palavras pouco elogiosas, para o nosso velho chafariz).

Resta acrescentar, que o velho chafariz está classificado como; IIP (“Imóvel de Interesse Público”,) pelo decreto nº 95/78, DR, I Série, n.º 210, de 12-09-1978).
 
O ALBICASTRENSE

terça-feira, junho 08, 2010

Chafarizes da minha cidade





CHAFARIZ DA GRANJA
Em 2008 publiquei neste blog vários posts onde questionava a nossa autarquia, sobre o péssimo estado em que se encontravam alguns dos nossos velhinhos chafarizes. Um deles foi dedicado ao Chafariz da Granja e nele dizia, entre outras coisas o seguinte:
“Encontra-se ao poente da cidade, na antiga Granja dos Castelos que pertencera à extinta Casa do Infantado. É constituído por um muro de alvenaria de forma curvilínea dividido em três painéis por duas pilastras. O painel central, onde encosta um tanque de cantaria que recebe a água de duas bocas com tubos circulares, é mais alto do que os laterais e nele figuram, em releve, as armas nacionais da época do Rei D. Luís e uma lápide com a seguinte inscrição: Obras Publicas – 1874. Aos painéis laterais estão adjacentes dois bancos de cantaria apoiados em quatro cachorros. O capeamento do muro é formado por caprichosas volutas de granito. A nascente que abastece, este chafariz, tem um caudal razoável, (água que porém não é bacteriologicamente pura).
O texto que acabou de ler é da autoria de Manuel Tavares dos Santos e foi publicado no seu livro: “Castelo Branco na Historia e na Arte” em 1958. Cinquenta anos depois, interessa clarificar que este chafariz, está hoje bem pior que então, pois actualmente já nem a água jorra das suas duas bicas. O seu estado é hoje uma autêntica calamidade, (como aliás as fotografias o demonstram). Que raio de pessoas somos nós!? Que serenamente e passivamente, assistimos à degradação do nosso património e não nos questionamos sobre toda esta desgraçada situação”.
Passados dois anos o velho chafariz da Granja foi finalmente recuperado, como se comprova pelas fotografias expostas neste posts.
Aproveitando este facto, lançava aqui um desafio ao presidente da nossa autarquia: Agora que a nossa autarquia recuperou o Chafariz da Granja, para quando a recuperação do Chafariz da Graça?
Senhor presidente, a recuperação do dito cujo, foi meritória, porém, não estrague esta boa obra, permitindo que um desgraçado irmão do dito cujo, (Chafariz da Graça) esteja no estado em que as fotografias documentam. Recuperar o chafariz da Granja e deixar o da Graça como está, é no mínimo uma impiedade medonha.
Mãos à obra!.. É o mínimo que este albicastrense pode exigir… a quem dirige a autarquia da sua terra.
O albicastrense

quinta-feira, junho 26, 2014

CHAFARIZ DE SÃO MARCOS



"UM CHAFARIZ ABANDONADO POR TODOS"

Volto hoje a um assunto que já aqui abordei variadas vezes, volto ao tema, porque não consigo passar pelo Chafariz de São Marcos e virar a cara para o outro lado, ou fazer de conta que por ali está tudo muito bem. Confesso que não consigo entender e muito menos compreender o abandono a que o dito cujo foi e está sujeito, (embora argumentem que na autarquia se encontra em estudo um projecto para recuperar do pobre chafariz).
Todavia, hoje em vez de falar do estado lastimoso em que ele se encontra, prefiro falar da afronta que o infeliz tem que aguentar diariamente.
Então não é, que certos “albicastrenses” resolvem colocar no pequeno pátio do chafariz os seus popós, tapando o chafariz quase por completo (tal como as imagens aqui postados mostram), independentemente do sinal de proibição de estacionamento, existente no pátio!!!! 
Será que esses “albicastrenses”, envergonhados pela desgraçada imagem que o pobre chafariz transmite a quem por ali passa, decidiram colocar os seus popós em frente do desgraçado, para esconder o lastimoso estado em que o desgraçado se encontra?
Brincadeira à parte, a falta de respeito por um monumento com mais de 400 anos não é de agora, contudo, pensava este albicastrense que com a construção do parque de estacionamento ali mesmo ao lado, o problema fosse ultrapassado. Engano o meu! Pois, continuam a fazê-lo independentemente de terem um parque de estacionamento de borla mesmo ali as lado.
Perante a falta de respeito: pelos quatrocentos anos do chafariz, pela terra albicastrense, pelos albicastrenses e pelo sinal lá existente, este albicastrense só pode mesmo apelar a quem de direito, para fazerem por ali uma ronda de vez em quando, afim de explicar a certos automobilistas o significado do sinal que lá existe.

ÚLTIMA HORA: Fontes ligadas ao sector do diz que não disse, asseguraram ao autor desta enganosa e mentirosa última hora, que os chafarizes albicastrenses se reuniram em assembleia geral na tasca do Zé da “Boa Pinga”, para se solidarizarem com o pobre chafariz de São Marcos, pois ele farto da desconsideração dos albicastrenses e seguindo o conselho de um tal coelho, estaria na disposição de ir para terras distantes, terras que o protegessem do descuramento a que a terra albicastrense o sujeitou.
O Albicastrense

terça-feira, julho 08, 2008

O s Nossos Chafarizes

CHAFARIZ DA S. MARCOS

O chafariz de São Marcos está classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto nº 95/78, DR 210 de 12 Setembro 1978.

Bigodes e Companhia, conhecedores das minhas intenções de apresentar neste blog o historial dos Chafarizes da nossa cidade, resolveram fintar-me, (são uns invejosos) e munidos dos respectivos acessórios para esta tarefa, foram fotografar e entrevistar o velho chafariz de S. Marcos.
Aqui fica a respectiva conversa desta dupla albicastrense com o velho Chafariz!!! Gostaria no entanto de esclarecer que o blog“ Castelo Branco – O Albicastrense” não se responsabiliza por este trabalho maluco.

Bigodes e Companhia

-- Em primeiro lugar gostaríamos de lhe agradecer esta conversa, pois somos sabedores que um tal, ”Albicastrense” se preparava para o vir chatear com perguntas patetas.

O velho Chafariz

-- Perguntem que eu gosto de contar a minha história.

-- Como é ter nome de Santo?
-- Sabem eu nem sempre tive este nome, no início era conhecido como Chafariz da Devesa.

-- Da Devesa!!!
-- Sim …
Por volta do século XVI ou XVII, (a minha memória já deixa muito a desejar) já aqui estava instalado. Este local fazia parte da extensão de terreno que ia desde a antiga muralha, (actual rua Vaz Preto) até ao sítio do cansado.
Só muito mais tarde e graças à Capela que tenho como vizinha, foi batizado com o nome porque hoje todos me conhecem.
Sabem, esta coisa de ser chafariz é uma tristeza, já nada querem connosco e estamos praticamente abandonados. Além de serem muitos anos de existência e de maus tratamentos.

-- São mais de 400 anos
-- Foram muitas as gerações de albicastrenses, que por aqui passaram…

Nos primeiros tempos, os albicastrenses vinha beber a água que jorrava da minha boca, conversar, desabafar e até namoravam brincado com a minha água.
Com o passar dos tempos perdi beleza e popularidade. Os residentes da nossa cidade esqueceram-me, os políticos desprezaram-me, e até as mulheres que aqui vinham lavar a roupa deixaram de o fazer.
Por fim até a bicharada que aqui vinha beber a minha água, deixou de comparecer.

-- Está muito magoado com os albicastrenses?
-- E com razão… vocês sabem de onde vinha a água que eu dava a beber aos moradores da nossa cidade nesses tempos?

-- Não!!!

-- Já sabia…
Hoje já ninguém quer saber da história dos velhos chafarizes da nossa cidade.
Mas eu vou dizer-lhe; a minha água era oriunda de um nascente que germinava numa das encostas do castelo da nossa cidade, e conduzida até mim por meios subterrâneos.
Hoje porém nada sei do líquido que me corre nas entranhas.
Sofri muitas restaurações ao longo dos tempos, porém muitas delas foram autênticos absurdos.
Vocês acham que estou bem conservado?

-- Para ser-mos sinceros… achamos que está uma autêntica desgraça.

-- Vocês têm cara de parvos mas pelo menos são honestos!
Vejam no século XIX, sofri mais uma das muitas restaurações que me fizeram ao longo dos tempos. Nessa reparação entre outras coisas, substituíram-me a boca de granito que dava de beber à bicharada, por um tubo de ferro!!!

-- Não pode ser!!!
--
Pode… pois ainda hoje a tenho. No século XX (a última restauração que sofri), o meu tanque que tinha sido construído no século XVII, foi quase engolido pelo chão como podem ver. Mas nem tudo foi mau nestes cerca de 400 anos!!!

-- Ah… então também ouve coisas boas!!!
--
Sim!!! Em Abril de 1655 a autarquia da nossa cidade reconhecendo a minha importância, (nessa altura ainda me chamavam de Chafariz da Devesa) aprovou um documento em sessão Camarária, onde determinou o seguinte:

“Toda a pessoa de qualquer qualidade que seja, que lavar no dito tanque dele ou fora dele roupa ou outra qualquer coisa pagará pela primeira vez dois mil réis e pela segunda quatro; toda a pessoa que lançar alguma pedra pequena ou grande no dito tanque pagara dois mil réis e a mesma pena terá qualquer pessoa que tirar pedra do cano do dito chafariz ou derrubar alguma pedra do bordo por baixo do tanque; toda a pessoa que derrubar alguma das ameias do tanque pagará seis mil réis de coima; toda a pessoa que no dito tanque aguçar alguma ferramenta no bordo ou em alguma pedra do dito tanque pagará dois mil réis. As quais condenações todas serão pagas na cadeia e sendo filho, pagará seu pai por ele e qualquer pessoa com uma testemunha o pode a coimar”.

Bons tempos esses, em que ainda se preocupavam comigo!!!

-- Mas em 1978, foi considerado como Imóvel de Interesse Público!!!

-- De que serve tal distinção!!!
Se a água que irrompe da minha boca, não serve para matar a sede a quem por aqui passa.
Se o meu tanque está cheio de porcaria e ninguém se preocupa em limpa-lo.
Se as minhas paredes estão uma indecência e ninguém as pinta.
Se alguém quiser uma fotografia minha, tenha que levar como brinde na minha foto a imagem e de uma carrinha que aqui tem garagem.
É caso para dizer: “ Se sendo considerado imóvel de Interesse Publico, não cuidam de mim, como seria se não tivesse qualquer classificação”?

-- Amigo Chafariz de S. Marcos, a dupla “Bigodes e Companhia” lamenta profundamente seu grave estado de saúde.
Promete-mos voltar quando tivermos boas notícias.

Bigodes e Companhia

sábado, janeiro 19, 2019

CHAFARIZ DE SÃO MARCOS - (V)

PUBLICAÇÃO POSTADA POR MIM NO FACEBOOK
 DO 
GRUPO CASTELO BRANCO

AOS MEMBROS DO GRUPO CASTELO BRANCO
"UMA PARTILHA UM ABRAÇO" 
Estive ontem dia 19 de Janeiro na reunião pública do executivo da nossa autarquia, reunião que se realiza nas terceiras sextas-feiras de cada mês.
Fiz nessa reunião, uma intervenção sobre a miserável situação do nosso Chafariz de São Marcos e do descontentamento dos albicastrenses do grupo Castelo Branco no facebook, sobre a ruinosa situação em que ele se encontra. Descontentamento declarado por mais de mil partilhas, (na sua totalidade), feitas no grupo a uma publicação ali colocada por mim, sobre o velho Chafariz. 
Em resposta à minha intervenção sobre o catastrófico estado em que se encontra o nosso chafariz, o presidente Luís Correia começou por dizer, que não liga ao Facebook  e desconhecia esse facto  (pensava eu, que o presidente tinha Facebook!).
Quanto ao nosso chafariz, nada disse sobre o seu abandono ao longo dos anos, informando depois os presentes na reunião, que a autarquia tem no ministério da cultura um projeto para ser aprovado no montante de 17 mil euros, para recuperar o velho chafariz (e eu a pensar que o nosso presidente contava tudo aos jornais da nossa terra!).
Como já disse anteriormente, sou por natureza uma pessoa otimista, pessoa que acredita em palavra dada, contudo, os meus 68 anos ensinaram-me a não ser excessivamente otimista e a ficar de pé-atrás, sobre certas promessas de políticos.
Por isso, não posso deixar de aqui colocar aos membros deste grupo de albicastrenses, pessoas que já demonstraram o seu carinho pelo velho chafariz a seguinte questão:
Vamos continuar a partilhar o poste que já foi partilhado por mais de mil albicastrenses, como forma de demonstrarmos ao nosso presidente que independentemente de ele não ligar ao facebook, este grupo de albicastrenses irá estar de ouvidos e olhos bem vigilantes, não para ver se palavra dada é palavra cumprida, mas antes, para assistir ao inicio das obras no nosso chafariz.
                                              O Albicastrense 

ANTIGOS JORNAIS DA TERRA ALBICASTRENSE - (4 /14)

                                                   JORNALISMO EM CASTELO BRANCO  ENTRE 1837 E 1927, PELO DR. ELOY CARDOSO ------------------...