quinta-feira, janeiro 17, 2008

Castelo Branco na História XII


(Continuação do número anterior)

Por alvará de 20 de Março de 1770, publicado em 15 de Abril do mesmo ano, concedeu o Rei D. José o titulo e foros de cidade à vila de Castelo Branco, por haver solicitado do Papa Clemente XIV que nela fosse criada uma diocese para que mais se pudesse mais dignamente estabelecer a respectiva catedral.
O alvará justifica a criação da dioceses ”Por estar impossibilitada no Bispado da Guarda a boa administração do passo Espiritual e Justiça que o prelado dele não podia estender ao excessivo número dos seus Diocesanos”.
Em 17 de Junho de 1771 foi, por Breve Apostólico, criado o Bispado de Castelo Branco. O primeiro bispo, na mesma data, foi o preceptor dos filhos do Marquês de Pombal, D. Frei José de Jesus Maria Caetano, da Sagrada Ordem dos Pregadores. Tendo tido apenas três bispos e depois de estar durante cinquenta anos sem regente, a dioceses foi extinta em 30 de Outubro de 1881, por Letras Apostólicas de Leão XIII, sem qualquer reacção da população da cidade.
Quando Napoleão Bonaparte, Imperador dos Franceses, decidiu, pelo tratado de Fontainebleau que celebrou com a Espanha, dividir o nosso pais em três estados e banir do reino a dinastia de Bragança, ordenou a sua invasão por um corpo do exercito comandado pelo general Junot, que foi incumbido de por em execução aquele tratado.
Esse corpo do exército, que foi organizado em Baiona, e se denominou da Gironda, era formado por três divisões de infantaria comandadas por Delaborde, pelo conde de Loison e pelo barão de Travos e por uma divisão de cavalaria comandada por Kellermann.
O exercito francês, tendo transposto a fronteira da Beira, iniciou a sua entrada em Castelo Branco no dia 20 de Novembro de 1807, abolachando-se nas casas de habitação e nos conventos.
O general Junot e o conde de Lolson hospedaram-se no Paço Episcopal, onde foram tratados com as maiores deferências pelo bispo D. Frei Vicente Ferrer da Rocha.
Cumprindo-se as instruções de D. João VI, então ainda príncipe regente, que foi fixar residência na nossa colónia do Brasil, não se organizou a resistência ao exercito invasor não obstante ele vir fragmentado, estropeado e faminto e por conseguinte em condições de ser facilmente repelido.
Numa pastoral, dirigida ao clero e ao povo de Castelo Branco, o bispo D. Vicente exortou a população a socorrer os “nossos bons aliados e bons amigos” e a não os ofender nem de leve, para não ser manchada da mais feia ingratidão e de um crime atrocíssimo.

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PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal Beira Baixa em 1951
Autor.
M. Tavares dos Santos

O Albicastrense

1 comentário:

  1. É com muita estranheza que detectamos que continuam as originalidades regionais nos concursos, ditos públicos, para as autarquias. Desta feita é, ou melhor foi, na Câmara Municipal de Castelo Branco, instituição cujo quadro técnico será, em breve, reforçado com um elemento na área da História. Até aqui tudo bem. É sempre bom verificar que os responsáveis pela gestão dos nossos municípios se apercebem das lacunas e das pobrezas técnicas e científicas dos nossos quadros de pessoal autárquico. Não sabemos se, no caso da Câmara Municipal de Castelo Branco, terá sido assim. Talvez. Realmente se atendermos às áreas profissionais dos elementos do júri deste concurso onde há um jurista, um gestor, uma assistente social, um engenheiro e um chefe de divisão que sabe muito de finanças e de patrimónios municipais facilmente se regista a inexistência de qualquer quadro superior da área de História. O concurso destina-se a «um estagiário com vista ao provimento de um lugar de técnico de 2º classe» sendo requisitos especiais «indivíduos habilitados com curso superior que não confira o grau de licenciatura, em área de formação adequada ao contudo funcional do lugar a prover (Técnico de História).» Lemos bem? Sim: TÉCNICO DE HISTÓRIA. Estamos perante uma solicitação muito peculiar pretendendo-se – repetimos- alguém com «um curso superior que não configura o grau de licenciatura» para trabalhar como Técnico de História. Engraçado, não sabíamos que agora havia cursos superiores que não licenciaturas, de História. O que se aprende com a leitura destes avisos! Em que Universidade ou Politécnico é que se atribui essa nova ‘especialização”? Por outro lado também não deixará de ser curioso o seguinte facto: a classificação - Técnico de História - profissional - não existe ou está algures escondida. Consultem a listagem das carreiras técnicas. Há lá técnicos de tudo e de mais alguma coisa, de História é que não há. Logo este concurso é para uma coisa que não está legislado e não existe. É uma ilusão funcional. Ou não será assim?


    Mas há mais neste curioso e tão oportuno concurso para um técnico de História de 2ª classe não licenciado. Por exemplo, o que se pede para a prova oral de conhecimentos específicos a serem avaliados pelo júri onde, como vimos, não há ninguém ligado a estes assuntos da História. Referem-se na bibliografia nada mais, nada menos do que 25 títulos, mais a 1º série da Revista “Estudos de Castelo Branco” (são centenas de títulos) e mais umas quantas coisitas. Enfim… Dá só para aí (e são contas pelo alto) umas dezenas de milhar de páginas. Que desafio digno de Hércules historiográfico! E se algum candidato resolver levar os livros todos para o exame oral? Não chega uma estante e necessitará da ajuda da senhora recepcionista para transportar o saber livresco para a prova oral. Quem será o candidato ou a candidata que vai ler todas estas obras decerto já muito lidas, relidas e sabidas por todos os elementos do Júri. A listagem abarca produções de 1853 até 2004 dentro de um discutível chapéu de obras de…história. Já estamos a imaginar o Júri dirigindo-se para o candidato: “ Diga lá, o que é que há que diga respeito à cidade de Castelo Branco nos 3 volumes do “Le Portugal Mediterraneen à la fin de l’Ancien Regime”de Albert Silbert que vem referido na bibliografia. Resposta: Senhores elementos do Júri, há volumes em que nada”. E não é que é mesmo assim … Deve ter sido um lapso erudito pelo cansaço de tão nobre tarefa? Mas há mais. Entre outras e só para amostra, as seguintes: o autor da “Monografia de Castello Branco” nunca a assinou com o nome de António Augusto Roxo ou ainda a magnifica obra A “Beira Baixa na Expansão Ultramarina” foi trabalho efectuado não só pelo meu grande amigo Eng. Manuel da Silva Castelo Branco como, e principalmente, pelo meu grande e velho Amigo Professor Doutor Candeias da Silva que não consta da relação.

    Mas esta contribuição para a bibliografia da cidade é notável. Depois das bibliografias do Dr. Ernesto Pinto Lobo (que foi durante muitos anos, e entre outros cargos, o responsável pela Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco) e do nosso Amigo Manuel Leitão (que é funcionário da Câmara e fundador do desactivado Centro de Estudos Epigráficos da Beira) que faremos referência mais pormenorizada em próximos posts, esta lista bibliográfica é um marco da região. Foi um investimento pago com os nossos impostos e editado no Diário da República. Assim Portugal ficou a saber da pujança historiográfica da nossa querida terra. Mas há uma coisa que nos intriga. Como é que o Júri justifica os autores e os investigadores ausentes desta listagem ‘”oficial”. A ausência (para não dizermos outra coisa) atingiu o cúmulo de até mesmo não contemplar edições apoiadas pela própria autarquia. Quem elaborou essa listagem desconhece esses autores por ignorância, por censura nominal, por critério científico, por indicações superiores? Ordens do ou Júri? Ou nada disto! Pois é, pois é. Sabem, meus caros, às vezes não basta copiar por copiar. Quem «montou» - atenção a estas coisas Sr. Presidente Joaquim Morão - este concurso para além de inventar uma classificação funcional, resolveu armar-se , junto dos seus pares em… sábio historiador. E vai daí toca a copiar ipsis verbis a bibliografia (erros incluídos) contida numa editada pelo programa Polis. Vale a pena cotejar. Mas tal não bastava e vai daí zuca: tomem lá mais uns quantos títulos que isto de mais linha ou menos linha no DR não conta... Presunção e água benta cada qual toma a que quer, mas não exageremos…

    Lembram-se do concurso para a Câmara da Idanha que há tempos aqui referimos e que deu origem a uma troca de galhardetes - alguns incríveis - entre alguns candidatos e candidatas? Pois sabemos que o mesmo foi impugnado. È verdade. Realmente «Quem não sente não é filho de boa gente. E se alguém se sentiu ultrapassado ou injustiçado fez muito bem em reagir. No caso do concurso da Câmara de Castelo Branco é daquelas coisas muito mais esquisitas. Esperemos, neste caso, que os senhores candidatos e candidatas (os previstos, os anunciados e os de última hora) principalmente aquelas senhoras e senhores mais moralistas e os que andam por aí a apregoar aos sete ventos a transparência dos processos, a cidadania sã e outras coisas tais, não se calem. Pelo menos nem que seja a bem da História. Aguardemos. Quanto ao resto, apenas dizer a quem ficar, se ninguém impugnar este concurso, que não há História com h (pequenino) …. Aos outros uma certeza - das vossas “estórias” (com concurso ou sem concurso, com ganhos ou com perdas) não há-de rezar, nunca mas mesmo nunca, a História.





















    Etiquetas: Concursos públicos



    # posted by Joaquim Baptista

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