quinta-feira, agosto 04, 2011

ALBICASTRENSES ILUSTRES - XXII

PADRE ANTÓNIO PIRES
Nasceu em Castelo Branco em 1519, sendo filho de Pedro Fernandes e de sua mulher D. Catarina Fernandes. Segue os estudos em Coimbra, sendo seu mestre o douto D. Gonçalo da Silveira, mas não chega a formar-se em qualquer das faculdades, para o que devia ter contribuído certamente o seu temperamento activo e essencialmente prático, pouco inclinado às disciplinas teóricas e filosóficas.
No entanto, dotado de bom senso e grande virtude e, sentido de vocação para a vida religiosa, tomou ordens menores e, entusiasmado com os princípios proclamados por Inácio de Loiola entra na Companhia de Jesus a 5 de Março de 1548. Mas, ainda noviço e servindo de porteiro do Colégio da Companhia em Coimbra, arrepende-se e pensa em sair, talvez sonhando uma vida mais intensa no cumprimento dos seus ideais.
Era então Reitor do Colégio o Padre Luís da Grã e, se não fora a sua intervenção esclarecida e amiga, teria levado a cabo tal desígnio.
Esta atitude, porém, aliada a um constante zelo e vontade de servir, foram certamente as razoes que determinaram a sua escolha para fazer parte do grupo de cinco jesuítas, que chefiados pelo padre Manuel da Nóbrega são enviados em acção missionaria ao Brasil, conjuntamente com o primeiro Governador Geral Tomé de Sousa. A armada sai de Lisboa a 1 de Fevereiro de 1549 e aporta à Baia de todos os Santos, a 29 de Março e, dois dias depois, domingo, o padre Manuel de Nóbrega celebra a primeira missa da Companhia naquele continente.
Assim se inicia a acção extraditaria de Sociedade de Jesus no Brasil, que iria concretizar-se nas realizações mais diversas e, repercutir-se profundamente nas actividades espirituais, económicas, culturais e sociais daquele grande território.
O padre António Pires, na sua ânsia de missionar, em breve se aventura até distantes aldeias dos nativos, mas ainda não aclimatado é atacado de paludismo. Por esse motivo passa a estar mais tempo em S. Salvador da Baia, onde serve de coadjutor ao Padre Nóbrega, entregando-se com ele à conversão do gentio, (educação de meninos) e morigeração dos brancos, no que tocava sobretudo à pureza dos costumes e liberdade dos índios.
O facto de coincidir o estabelecimento da Missão da Sociedade de Jesus no Brasil com o do Governo Geral, deu-lhe o ensejo de colaborarem na função da cidade de S. Salvador da Baia, empresa iniciada em principio de Maio. E, enquanto de edificavam outras obras na nova capital do Brasil, ergue-se a igreja de N. Sr. Da Ajuda, construída pelos jesuítas com as próprias mãos, indo ao mato buscar a madeira e fazendo os taipais. Neste trabalho tem acção preponderante o padre António Pires, pois que, homem de força e hábil de mãos aprende a arte de carpintaria e preside às primeiras construções materiais da Companhia. Deste modo, a 1 de Novembro de 1549, quando o Padre Nóbrega parte com a armada a visitar os cristãos da costa de S. Vicente até Porto Seguro, deixa na Baia o padre António Pires em seu lugar, trabalhando na primeira igreja da Companhia, que foi a da Ajuda, à qual se segui a ermita do Monte Calvário e a igreja que depois se chamou do Terreiro de Jesus.
E, além de ocupado com confissões e os doentes do Hospital, ainda deu principio a uma casa destinada à recolha e ensino dos meninos dos gentios novamente convertidos. Entretanto, o padre Manuel de Nóbrega regressa e, desejando alargar cada vez mais a acção da Companhia, parte novamente em meados de Julho de 1551, levando consigo o Padre António Pires para Pernambuco, onde só chegam em fins do mesmo mês, pois a viagem revestiu-se das maiores dificuldades e perigos.
Ali iniciam uma acção meritória, mas em Janeiro de 1552, o padre Nóbrega volta à Baia, pelo que o padre António Pires fica só, confessando e pregado, convertendo.
Em fins de 1553 regressa a Baia e, ali ocupa os cargos de Reitor, de Superintendente e de Mestre de Nocivos. Fez os votos de coadjutor espiritual formado, sendo considerado a pessoa de mais autoridade no Brasil para governar a Província como Vice Provincial, assumindo de novo este cargo em 1570 e, no exercício do qual acabou os seus dia a 27 de Março de 1572.
Texto da autoria de: Manuel da Silva Castelo Branco
O Albicastrense

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