sábado, novembro 17, 2007

Castelo Branco na História VIII

(Continuação do número anterior)

Determinaram então, por escritura lavrada em Fevereiro de 1230:
Que os de Castelo Branco mandassem edificar uma Igreja no lugar onde foram mortos os homens da Covilhã;
Que se juntassem as ossadas dos mortos para serem sepultadas nesta Igreja;
Que um capelão, pago pelos de Castelo Branco e pelos freires de Cristo, dissesse ali missa todos os dias por alma dos sobreditos mortos;
Que os vizinhos da Covilhã ficassem equiparados aos de Castelo Branco em poderem passar o porto do Tejo;
Que se alguém de Covilhã tivesse queixa de alguém de Castelo Branco viesse a esta vila dizer de sua justiça e se seguísse o mesmo trocada a hipótese, não devendo haver medianido entre os dois concelhos;
Que os de Covilhã e os de Castelo Branco se auxiliassem mutuamente na guerra;
Que o alcaide-mor de Covilhã acompanhado dos alcaides e de dez cavaleiros conduzisse a bandeira de Covilhã a Castelo Branco; que o alcaide-mor desta vila convocasse pelo pregoeiro todos os habitantes do seu concelho e todos saíssem das muralhas a receber aquela bandeira, que seria hasteada pelo comendador de Castelo Branco no lugar mais elevado da Alcáçova;
Que todos erguessem as mãos ao céu e jurassem perante Deus de cumprir este acordo;
Que em sinal de paz o alcaide-mor de Covilhã desse um beijo ao mestre do Templo e o mesmo fizessem os alcaides de Covilhã e Castelo Branco;
Que se alguém, recordando-se de antigos ódios, ofendesse pessoa doutro concelho, fizesse nele justiça o concelho do ofendido;
Que se alguma das partes deixasse de cumprir pagasse à outra dois mil áureos, podendo a que obedecesse a esta sentença fazer apreensão à contraventora em bens equivalentes à multa convencionada.
No sítio da Contenda ainda hoje existem as ruínas da ermida construída pelos habitantes de Castelo Branco para sepultar os de Covilhã que foram chacinados na serra da Gardunha.
Esta ermida era da invocação de S. Pedro, podendo ainda ver-se a imagem deste santo na Igreja do lugar de Cortiçada.
Segundo a tradição, a praça da Concórdia em Vale de Prazeres deve a sua toponímia ao termo da contenda entre os dois concelhos,
Em 10 de Março de 1240 foi a vila de Castelo Branco visitada pelo rei D. Sancho II, que aqui ordenou o povoamento do território de Idanha-a-Velha.
Sendo mestre da Ordem do Templo D. João Escritor, fizeram os Templários, em Setembro de 1242, uma concordata com o bispo da Guarda para que este bispo tivesse umas “suficientes e honradas casas” na vila de Castelo Branco e em Vila Velha de Rodam para nelas recolher suas rendas e procurações.

(Continua – 8/103)

PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época.
Publicado no antigo jornal Beira Baixa em 1951

Autor. M. Tavares dos Santos

O Albicastrense

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