quarta-feira, março 12, 2008

TOPONÍMIA ALBICASTRENSE - (XVIII)


Ruas da Minha Cidade
Dos muitos nomes, de pessoas que constam nas placas toponímicas da nossa cidade, este será mais um dos que pouco ou nada dizem aos albicastrenses.
Esta rua, co
m pouco mais de cem metros, tem o seu início (ou final), na avenida Humberto Delgado e vai até ao largo de S. António, (hoje também conhecido por largo da cadeia de Castelo Branco).
Quem foi
António Rodrigues Cardoso ?

Nasceu na Sobreira Formosa a 8 de Julho de 1864, e fez o liceu em Castelo Branco.

O reitor
do liceu era nessa altura Ruivo Godinho, que impressionado com António Rodrigues Cardoso, o incentivou a tirar um curso superior sem que se preocupasse com as despesas do referido curso, pois ele as pagaria.
António Cardoso azamboado com a oferta agradeceu com lágrimas nos olhos, e ficou de ponderar se as circunstâncias da sua vida familiar lhe permitiam aceitar tão generosa oferta. Cardoso era órfão de pai, e sua mãe, viúva de dois matrimónios, tinha uma ninhada de filhos que era necessário amparar e guiar. Venceu o amor da família e ficou para se sacrificar pela família, crente, pensou em seguir a carreira de eclesiástica, e para tal se matriculou no curso eclesiástico que ao tempo havia na cidade, pois era sede de bispado.
Findo o curso, por concurso entrou no magistério primário complementar, e de lá para o quadro docente da escola normal primária, donde veio a sair para secretário da Câmara Municipal de Castelo Branco. Cedo ingressou na política ao lado do seu amigo Ruivo Godinho. O jornalismo chamava-o, e em Janeiro de 1889 fundou o “ Distrito de Castelo Branco” que durou até 1906.
Com a morte de Ruivo Godinho e retirada da política de Manuel Vaz Preto, o partido regenerador no distrito entrou numa fase de entendimento com o partido progressista local, e António Rodrigues dedicou-se ao jornalismo, em 1906 fundou “ A Gazeta da Beira” que na monografia do jornalismo distrital de João Grave, tem esta nota sugestiva (
jornal monárquico esturrado, progressista, morreu com a monarquia).
De 1910 a 1912, A. Cardoso não teve jornal, pois a “Gazeta da Beira” morrera entretanto. É durante esse período de natural agitação que se afirma como polemista distinto, panfletário enérgico, cáustico e mordente, na defesa da sua pessoa e sobretudo na defesa dos seus amigos.
Francisco Tavares Proença seu velho e grande amigo havia-se exilado nas terras de França, e cá dentro no nosso burgo ouve quem tentasse denegrecer a sua acção politica e denegrir o passado honroso de seu pai que havia sido alguém na politica geral do pais. A. Cardoso veio à estacada com um panfleto enérgico repondo a verdade dos factos. António Cardoso mantinha-se inflexível no desempenho do seu cargo. As novas vereações, mais os esturrados queriam a sua demissão, é neste período que ele publica uma série de folhetos que são uma alta afirmação de doutrina, e uma defesa enérgicas dos seus direitos.
A sua vocação jornalística não se coadunava com a inacção forcada, em fins de 1912 consertou com o seu primo João Ribeiro Cardoso a publicação do jornal o “ Beirão” jornal que viveu a vida intensa da politica daqueles anos até 1917, surgindo depois novo jornal, monárquico sem disfarces, de nome “A Beira Baixa”sob a direcção de José Pinto da Silva Faia. Em 1927 apareceu ” A Era Nova” sob a direcção de A. Crucho Dias, que passou a direcção do jornal para A. Cardoso, “ A Era Nova” viveu até ao advento da nova remodelação territorial do pais, tendo a erecção da nossa província justificado a mudança do seu titulo para “A Beira Baixa” onde ele se manteve até 1944.
A. Cardoso permaneceu no jornalismo local mais de 50 anos, durante quase meio século redigiu milhares de páginas, deixando bem vincado o seu anseio pelo progresso da sua região. A Rodrigues tinha a paixão da história regional, deliciava-se no estudo dos velhos manuscritos que lhe podia deixar visionar a nossa vida em tempos idos. A ele se deve a publicação durante anos a rubrica Efemérides Municipais, trabalho de folgo e de valor real para a monografia do Concelho de Castelo Branco.
Morreu em Castelo Branco, a 28 de Janeiro de 1944.
O Albicastrense

1 comentário:

  1. Anónimo21:31

    as cegonhas tá bem

    agora o telheiro é mamaracho

    nem tapa a agua aos incautos

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