terça-feira, novembro 23, 2010

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - XL

A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Ribeiro Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, (Trabalho que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes).
O texto está escrito, tal como publicado em 1937.
Os comentários do autor estão aqui na sua totalidade.
(Comentário de “ARC” referentes à acta do poste anterior das efemérides)
E nesta sessão mais nada, a não ser que consideremos alguma coisa um pedido do procurador do povo, Diogo da Fonseca Barreto Mesquita, para se lhe dar outro companheiro, por se achar impedido o Dr. José dos Reis, pedido que foi logo satisfeito, pois se nomeou para substituir o impedido capitão mor José Martins Goulão.
E agora vejam os meus três leitores como em todos os tempos se escreveu a história! O corregedor Gaspar de Sousa Barrete Ramires, pelo visto, era um marajá de respeito, como do que fica transcrito se apura.
Mas em sessão da Câmara, realizada cerca de quatro anos antes, ou seja em 22 de Julho de 1786, os vereadores José Carlos de Sousa Coutinho e António Ignacio Cardoso Frazão propuseram e todos os mais membros da Câmara, segundo diz a acta respectiva, aprovaram o mais formidável voto de louvor agradecimento ao mesmo corregedor por ter dado provas de um “zelo pelo publico como certamente não mostrou outro algum Ministro”. E citam-lhe as obras para por em evidência o zelo inexcedível do homem:
a grande calssada do Spirito Santo, a da Fonte Santa, da rua de Santa Maria, da rua de Ferradura, da Senhora da Piedade, da rua do Rellogio, as minas da fonte do tostão, o rico Tumulo ou (seguem-se duas palavras que não conseguimos ler) que se fez para a Igreja da Sé desta cidade, o retablo da capela do Spirito Santo que he do Povo desta cidade a Estrada que abrio para o Tejo em evidente beneficio do Comercio desta cidade e Comarca os últimos estabelecimentos do Celeyro comum para prover os lavradores de sementes de Trigo e de Senteio, o da Escolla de fiação e corda para acupar a oceosidade e importar dinheyro para esta cidade e termo; zelo que se manifestou não só com a pessoal assistência do dito Menistro mas com a Economia das rendas desta Camara que não sendo mayor no tempo em que elle servio do que herão no annos antessedentes, só se virão luzir e aproveitar ao publico quando elle administrou; zelo que elle continuou a mostrar nos Provimentos que fez na sua primeira Correyção em que respira amor do publico que está saltando à vista sem que possa ser contestado ainda pello mais animoso; zelo que elle principiuou a estender as villas desta comarca para que os bens publicos não servissem de preza aos ambiciozos como o notorio, etc., etc., etc.,”
Um nunca acabar de zelo e de prendas que levavam o corregedor até aos picaros da lua. Até lhe puseram em destaque: “a sua conhessida Literatura, a sua retidão, o seu comportamento afável sem abuzar da autoridade o seu desinteresse superior a toda a contestação!”
Seria realmente ele quem escreveu toda esta lenga-lenga num papel e teriam os vereadores de 1786 consentido que se copiasse na acta “para comprazer com o seu companheiro”, para satisfazer as suas instâncias, para ver se com aqueles “illugios” contrários à verdade contribuíam “para por termo à perturbação que já havia na Câmara” como explicou, desculpando-se o vereador António Ignacio Cardoso Frazão, que tomou parte tanto na sessão de 22 de Julho de 1786 como na de 5 de maio de 1790? É verdade que já em 1786 havia quem lhe atirasse às faces as acusações de certa gravidade a respeito das obras das pontes da Ocreza e do Alvito.
Mas... as coisas deste mundo. Certifica-se hoje quem ontem se pós nas estrelas, Deus sabe se com tanta justiça num caso como no outro.
PS – Mais uma vez informe os leitores dos postes “Efemérides Municipais”, que o que acabou de ler é uma transcrição fiel do que saiu em 1937.
O Albicastrense

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