terça-feira, julho 04, 2017

NOTÍCIAS DE OUTROS TEMPOS - (III)

(UMA NOTÍCIA DE SE LHE TIRAR O CHAPÉU)

MORREU NESTA CIDADE UMA MULHER QUE, 
ANOS ANTES, SE ERGUEU DO CAIXÃO A TEMPO DE
 NÃO SER ENTERRADA VIVA.

O jornal “Reconquista” publicou na sua edição de 3 de Maio de 1959, a noticia que vai ler a seguir:
Faleceu há poucos dias, numa casinha do bairro do castelo, rodeada de filhos e netos, uma octogenária, de seu nome, Josefa Correia, mas conhecida só por Ana do Ninho.
Teve vinte filhos do seu único marido, sendo vivos apenas quatro á data do seu falecimento. Deixou dezanove netos.
Pois esta mulher, há quarenta anos, tendo dado entrada no Hospital desta cidade, foi pouco depois de ali estar “declarada morta”.
Seguiram-se os trémitos habituais: dobre de sinos, cadáver colocado no esquife hospitalar, de pés atados, e transportado para a capela.
Ninguém durante a noite a velar o cadáver os cirios, em redor, ardendo piedosamente.
Já de manhã, o cadáver, talvez cansado posição e do frio da noite de inverno, só com um lençol a cobri-lo, tentou voltar-se para um dos lados, mas bateu com a cabeça na dura madeira do caixão hospitalar, e…  sentou-se, calmamente, desapertou a fita que lhe unia os pés, saiu da tumba, enrolou os lençóis, que levou consigo, ajoelhou para rezar, e partiu como uma sombra, a caminho de casa, onde os filhos a receberam aos gritos, como uma estranha e fantasmagórica aparição.
E enterro estava marcado para essa manhã à hora em que ela, por um triz livre de ser enterrada viva, recomeçava, com serenidade impressionante, e rezando baixinho, a vida doméstica, outros quarenta anos de vida dura. Teve ainda mais filhos.
O Albicastrense

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